Escrito com as frases que muitos adolescentes dizem quando finalmente falam. Para os pais lerem em voz alta, e depois perguntarem ao filho qual versículo é dele.
Eu era o menino que dormia na tua cama nas noites de trovão; hoje bato a porta, e a porta é a única coisa que sei fechar. Não penses que deixei de te amar; é que não sei o que fazer com o que sinto, e a porta está mais perto.
Não me deixes na minha pior versão, pois é nela que eu pergunto se o teu amor tem saída. Quando eu disser a coisa mais cruel que consigo, fica. Eu estou testando a porta, e preciso que ela não exista.
Não me compares com o menino de oito anos; eu também sinto falta dele, e ele não vai voltar. Cada vez que o mencionas, sinto que decepcionei alguém que já não existe para me perdoar.
Dá-me limites que não mudem com o teu humor; sê chato, mas sê o mesmo na segunda e na quinta. Eu reclamo das regras, mas o que me apavora é uma regra que muda de dono.
Pergunta o que eu sinto, e aceita o “não sei”; não é fuga, é a resposta mais honesta que tenho hoje. Pergunta de novo amanhã.
Não contes as minhas coisas para a tia, nem para o grupo, nem para o pastor, nem para a mãe do meu amigo. Se o que eu digo em casa sai de casa, eu paro de dizer, e tu vais chamar isso de fechado; chama-se prudente.
Quando eu disser que não preciso de ti, fica no cômodo ao lado com a luz acesa; é mentira quase sempre. E no dia da nota vermelha, da mentira descoberta, da grosseria com a avó, não me dês o sermão, que eu sei de cor. Diz-me que eu continuo sendo teu.
Ama-me quando eu menos merecer, porque é quando eu mais preciso. Eu não consigo dizer nada disso olhando para ti. Por isso está escrito.
Para os pais, depois da leitura
O último verso é o mais importante, e tem razão teológica para isso. O amor que salva o mundo foi dado exatamente assim: “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8). Ainda. Não depois de melhorar. E o pai da parábola correu para o filho quando ele “vinha ainda longe” (Lucas 15.20), sujo, endividado, com o discurso de desculpas ainda na boca. Um adolescente que recebe amor no pior dia está recebendo, em escala doméstica, a única espécie de amor capaz de mudar alguém.
Isso não anula a disciplina. A nota continua tendo consequência, a mentira continua sendo confrontada. Mas a ordem importa: primeiro “você continua sendo meu”, depois “e vamos resolver isso”. Quem inverte a ordem ensina que o pertencimento se compra com comportamento, e essa lição o filho leva para o casamento e para a fé.
Leia o salmo em voz alta para o seu filho, sem comentar. Entregue uma cópia impressa e uma caneta e peça que sublinhe os versículos que são dele. Não discuta os que ele sublinhou. Agradeça. Depois conte aqui qual versículo ele marcou, e se escreveu algum.
Equipe Batista Família


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