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A PARÁBOLA DOS QUATRO MESTRES

Havia numa aldeia um menino que não sabia somar. Seu pai, homem trabalhador e temente a Deus, resolveu procurar quem o ensinasse, e na aldeia havia quatro mestres.

O primeiro era o pregador. O pai levou o menino e mostrou-lhe a conta errada. O pregador ergueu-se, e a voz encheu a sala. “Quantas vezes já se disse que a atenção é a mãe do saber? Nesta aldeia, o estudo é sagrado. Quando eu tinha a tua idade…” E falou por uma hora sobre a importância dos números, e tudo o que disse era verdade. O menino ouviu de cabeça baixa e aprendeu uma coisa: quando errar, prepara-te para o sermão. A conta continuou errada.

O segundo era o promotor. Olhou a conta e olhou o menino, e disse: “Tu não estudaste. Vi-te à tarde no rio quando devias estar à mesa. Não adianta negar.” E reuniu as provas, e as provas eram reais. O menino aprendeu a defender-se, a mentir melhor e a esconder a lousa debaixo do braço. O promotor ganhou a causa. A conta continuou errada.

O terceiro era o político. Olhou a conta, sorriu para o pai e sorriu para o menino, e disse: “Deixa estar. Faz do teu jeito, depois vemos. Hoje não é dia de aborrecimento.” O menino sentiu alívio e aprendeu que a conta errada não tem consequência, e que o mestre não suporta desagradá-lo. O político foi amado por todos. A conta continuou errada.

O quarto era um homem calado, a quem chamavam o que pergunta. Olhou a conta e não disse se estava certa ou errada. Disse: “Interessante. Mostra-me como chegaste a este número.” O menino mostrou. O mestre ouviu até o fim, e então disse: “Tenho uma suspeita. Será que o erro está na hora de passar o número para o outro lado?” E pediu: “Faz de novo esta parte, devagar, enquanto eu olho.” O menino fez, e o erro não estava ali. O mestre disse: “Então eu estava enganado. Vamos procurar em outro lugar.” E procuraram juntos, e acharam. A conta ficou certa. E o menino aprendeu três coisas: a somar, que errar é o começo de descobrir, e que um mestre pode estar enganado e dizê-lo sem perder a honra.

Em verdade, todos os pais moram nas quatro casas, mas a maioria dorme nas duas primeiras, porque pregar e acusar dão a sensação imediata de estar fazendo alguma coisa. Só o que pergunta ensina, porque só ele ainda não sabe a resposta, e é por não saber que o menino fala.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

O que a parábola diz sobre a sua casa

Os quatro mestres moram dentro de todo pai e de toda mãe. O pregador aparece quando o filho erra e a resposta é um discurso sobre valores: “quantas vezes eu já disse”, “nesta casa”, “quando eu tinha a sua idade”. O promotor aparece quando a resposta é provar a culpa: “eu vi você no celular”, “não adianta negar”. O político aparece quando a resposta é evitar a briga: “deixa, depois eu vejo”, “hoje não”. E o que pergunta aparece quando a primeira frase, diante do erro, é uma pergunta de verdade: “me mostra como você fez?”.

Os três primeiros têm algo em comum: já sabem a resposta antes de o filho abrir a boca. Por isso o filho não fala. O quarto mestre é o único que ainda não sabe, e é justamente por não saber que o menino conta o que aconteceu. E quando o filho conta, o pai descobre onde está o erro de verdade, que quase nunca é onde o sermão apontava.

Jesus ensinava assim. Antes de curar o filho de um pai desesperado, ele parou e perguntou: “Há quanto tempo isto lhe sucede?” (Marcos 9.21). Ele já sabia a resposta. Perguntou para que o pai falasse. E Provérbios resume o erro dos dois primeiros mestres em uma linha: “Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha” (18.13).

Como praticar esta semana

A regra é uma só: diante de qualquer erro do seu filho, a primeira frase que sai da sua boca tem que ser uma pergunta, nunca uma afirmação. Vale para a lição errada, o copo quebrado, a mentira descoberta, a nota baixa.

Três perguntas que funcionam em quase toda situação: “Me conta o que aconteceu?” “O que você estava tentando fazer?” “O que você faria diferente?”

Depois da pergunta, ouça a resposta inteira, sem interromper. Só então decida se ainda precisa de um sermão. Na maioria das vezes, vai descobrir que a resposta do filho já resolveu metade do problema, e que a outra metade se resolve com uma segunda pergunta.

Um exemplo simples. A conta de matemática está errada. O pregador diz: “Você não presta atenção.” O que pergunta diz: “Me mostra como você chegou nesse número.” O filho mostra, e o pai vê que o erro foi na hora de passar o número para o outro lado. Corrige em um minuto, sem briga, e o filho aprende duas coisas: a conta e que errar é o começo de descobrir.

Para conversar

No fim da semana, responda nos comentários: qual dos quatro mestres apareceu mais na sua casa? E qual pergunta você fez no lugar de um sermão? Conte também o que o seu filho respondeu.

Equipe Batista Família

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