A MULHER DE QUARENTA E CINCO ANOS QUE NINGUÉM EXPLICA

Ela esquece o nome de uma pessoa que conhece há dez anos. Acorda às três da manhã e não volta a dormir. Chora numa reunião da escola sem saber por quê. Sente um calor que começa por dentro e sobe pelo pescoço no meio do louvor. E a explicação que recebe, quando recebe, é uma piada: “é a idade”. A idade não explica nada. O que explica é o que está acontecendo no cérebro dela.

Não é a menopausa. É a fase que vem antes

A maioria das mulheres associa os sintomas à menopausa e, como ainda menstrua, conclui que “não pode ser isso”. Pode. Existe uma fase de transição que começa, para muitas, por volta dos quarenta anos e pode durar vários anos antes da última menstruação. É a fase mais sintomática de todas e a menos falada. Nela, os hormônios femininos não caem em linha reta: oscilam, sobem e despencam, às vezes dentro da mesma semana. É essa oscilação, e não a falta, que produz a sensação de estar ficando louca.

Por que o cérebro sente antes do corpo

O hormônio que todo mundo trata como “coisa de reprodução” é, na verdade, um dos reguladores do cérebro feminino. Ele participa da energia das células cerebrais, do controle da temperatura, do sono, da memória e do humor. Quando ele oscila, o cérebro sente primeiro. É por isso que os sintomas mais comuns dessa fase não são ginecológicos:

  • O calor repentino não vem da pele. Vem do centro de controle de temperatura do cérebro, que perde a calibragem e dispara alarmes sem motivo. Por isso o leque e o ventilador ajudam pouco.
  • A palavra que foge no meio da frase, o cômodo em que se entra sem lembrar por quê, o fio da leitura que se perde. Não é o começo de nada grave. É o cérebro reajustando o abastecimento, e na maioria das mulheres isso passa.
  • A noite quebrada às três da manhã. É a parte mais cruel, porque o sono ruim piora todo o resto da lista.
  • A irritação nova, a ansiedade sem causa aparente, a tristeza que vem e vai. Não é falta de fé, nem de gratidão, nem de oração. É química. Orar continua sendo necessário. Culpar-se, não.

O que ninguém conta: o cérebro não está quebrando

Aqui está a informação que mais precisa chegar às mulheres. O cérebro feminino, nessa fase, não está entrando em declínio. Está se reorganizando para funcionar com um equilíbrio hormonal novo. Muitos sintomas diminuem ou desaparecem quando a reorganização termina. A mulher que atravessa a transição não sai dela diminuída; sai diferente. O salmista diz a Deus: “por modo assombrosamente maravilhoso me formaste” (Salmo 139.14). Assombroso inclui um cérebro que se reorganiza aos quarenta e oito anos.

O que fazer

Procure um médico que leve a queixa a sério. Existem caminhos de tratamento, e eles são individuais; nenhum cabe num texto de blog.

Proteja o sono como quem defende um território. Horário regular, quarto escuro e fresco, celular fora do quarto. Se há uma coisa a cuidar nessa fase, é a noite.

Não sofra calada achando que isso é virtude. Fale com o marido, com uma amiga mais velha que já passou, com a médica. Sofrimento escondido não é humildade; é isolamento.

E tenha à mão a descrição que Provérbios faz da mulher madura: “A força e a dignidade são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações” (31.25). Dignidade não é ausência de sintoma. É atravessá-lo sabendo o que ele é.

Para o marido

O marido não precisa entender tudo. Precisa de quatro atitudes.

  • Acreditar quando ela diz que não está bem, mesmo que parecesse bem uma hora antes.
  • Não fazer piada com o calor, com o esquecimento nem com o choro; a piada deixa uma mulher sozinha numa sala cheia.
  • Proteger a noite dela: se ela acordou às três, não é preguiça de manhã, é uma guerra que ele não viu.
  • E orar por ela em voz alta, sem exigir que ore junto, porque tem dia em que ela não consegue.

Pedro escreveu aos maridos: “vivei a vida comum do lar, com discernimento”, “tratando-a com dignidade” (1 Pedro 3.7). Discernimento, nessa fase, é saber o que está acontecendo com ela antes de julgar como ela está reagindo.

Para conversar

Se você é mulher e reconheceu três ou mais sintomas, mostre este texto ao seu marido hoje. Se você é o marido e chegou até aqui, comente “li”. E, para as mulheres que já passaram por essa fase: quem explicou isso a você, e com que idade? Sua resposta pode ser a explicação que outra mulher ainda não recebeu.

Este texto é informativo e não substitui consulta médica.

Equipe Batista Família

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