A LISTA TINHA ONZE ITENS

A lista tinha onze itens. Levei três semanas para escrevê-la, com datas e exemplos, e a dobrei em quatro dentro da Bíblia, entre Mateus e Marcos, para reler antes da conversa com o pastor. Ele ia ouvir nós dois. Eu ia chegar preparada.

Na sala de espera do gabinete, com meu marido ao lado olhando o celular, abri a Bíblia para conferir a lista, e a página se abriu em Mateus 7. Não é milagre; é onde eu tinha guardado o papel. Mas nessa página havia um versículo sublinhado por mim mesma, anos antes, com caneta azul: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?” Eu tinha sublinhado aquilo pensando numa cunhada. Nunca tinha lido pensando em mim.

O pastor nos chamou. Sentou, olhou para nós dois e disse que, antes de qualquer um contar o que o outro fazia, cada um ia escrever numa folha o que ele mesmo fazia de errado no casamento. Só ele mesmo. Se aparecesse o nome do outro, ele rasgaria a folha. Entregou duas canetas e saiu da sala.

Meu marido começou a escrever na hora. Aquilo me irritou: ele sempre foi rápido nas coisas em que eu sou lenta. Eu fiquei olhando para a folha em branco. Onze itens sobre ele dentro da Bíblia, e nem uma linha sobre mim na mesa. Pensei em escrever “sou muito exigente”, mas percebi que era elogio disfarçado. Pensei em “eu me irrito fácil”, mas a frase pedia um “porque ele” logo depois, e o pastor rasgaria. Passaram-se oito minutos. Eu contei no relógio da parede.

Quando escrevi, escrevi só uma linha: “Eu conto os erros dele para não precisar olhar os meus.” O pastor voltou, leu as duas folhas em silêncio, e disse para mim: “Esse é o começo.” Para ele, disse outra coisa que não me cabe contar aqui.

Naquela noite eu entendi uma coisa sobre Paulo, que escreveu a Timóteo que Cristo veio salvar os pecadores, “dos quais eu sou o principal” (1 Timóteo 1.15). Sempre achei que era modéstia de apóstolo. Não é. É a única posição de onde alguém consegue amar um pecador: de dentro da mesma lista. Enquanto eu era a fiscal do casamento, não sobrava espaço para a graça, porque a graça precisa de um culpado que se entregue, e eu tinha me entregado ao cargo de acusação.

A lista de onze itens ainda existe. Não rasguei. Guardei na mesma Bíblia, na mesma página, para lembrar quem eu era quando achava que o problema morava do outro lado da cama. De vez em quando releio. Alguns itens continuam verdadeiros. Só que agora eles são o cisco, e eu conheço a viga.

Se você quiser fazer o mesmo, não precisa de pastor. Precisa de uma folha, de uma caneta e da regra: só sobre você. Se a primeira linha demorar oito minutos, você está exatamente no lugar certo. Conte nos comentários quanto tempo levou a sua.

Equipe Batista Família

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