Como o narcisismo materno pode afetar o desenvolvimento emocional e psicológico dos filhos?

O narcisismo é um conceito da Psicanálise que define o indivíduo que admira exageradamente a sua própria imagem e nutre uma paixão excessiva por si mesmo. Além disso, o narcisismo também é considerado um transtorno psicológico. Vamos entender melhor quais são as características específicas desse transtorno.

Os narcisistas têm dificuldade em reconhecer as necessidades e sentimentos alheios, não conseguem ter empatia pelos outros. Exageram suas conquistas, buscam reconhecimento mesmo sem merecerem e diminuem constantemente os outros. Têm um sentimento claro de superioridade, pois acreditam ser especiais e só podem se relacionar com pessoas igualmente “especiais”. Buscam tratamento diferenciado em todos os lugares que frequentam, como se fossem melhores do que todos que estão ali. Sentem inveja dos outros e têm uma autoestima vulnerável, o que os torna sensíveis às críticas. Mantêm relacionamentos que aumentam sua autoestima e buscam dedicação sem reciprocidade. Monopolizam conversas e ignoram quem consideram “inferiores”.

Conviver com uma pessoa com Transtorno de Personalidade Narcisista é, além de desafiador, desgastante emocionalmente. Quando essa pessoa é líder da sua equipe, um colega próximo de trabalho, um parente próximo ou até sua mãe, a situação fica ainda mais complicada.

Uma mãe narcisista pode ter um impacto significativo na vida emocional e psicológica de seu filho. Problemas graves podem surgir na vida adulta de uma criança que convive com uma mãe narcisista. Mas quais são os maiores problemas nessa relação? O que pode ser feito para que os impactos sejam menores na vida desse filho? A pessoa com esse transtorno consegue mensurar o quanto está prejudicando a vida do filho?

Se o narcisista tem dificuldade em se colocar no lugar do outro, uma falta total de empatia, a mãe narcisista não é diferente, ela tem dificuldade em se colocar no lugar do filho e entender suas necessidades emocionais. Ela pode minimizar os sentimentos do filho ou ignorar suas preocupações, o que pode levar a uma sensação de isolamento e falta de apoio emocional para a criança.

A mãe narcisista pode ver o filho como uma extensão de si mesma e, portanto, como uma competição direta. Ela pode sentir inveja do sucesso ou da felicidade do filho e tentar diminuir suas realizações para manter-se superior, o que pode criar uma atmosfera de rivalidade e hostilidade dentro da família.

Há uma constante alternância entre idealizar e desvalorizar o filho. Quando o filho atende às expectativas dela, ele é idealizado e recebe elogios excessivos; no entanto, quando o filho não atende às suas expectativas ou ameaça sua autoimagem, ele é desvalorizado e criticado. Essa instabilidade emocional pode ser confusa e prejudicial para o desenvolvimento do filho.

Outro aspecto é que a mãe narcisista pode usar táticas manipuladoras para controlar o filho. Ela pode usar chantagem emocional, culpa ou ameaças para obter o que deseja. Isso pode resultar em uma sensação de impotência e falta de autonomia para o filho.

Dessa forma, o filho, ainda criança, com constantes críticas de desvalorização, tem sua autoestima totalmente afetada e pode crescer acreditando que não é bom o suficiente ou que precisa se esforçar constantemente para obter aprovação, já que ela espera que ele alcance metas inatingíveis para satisfazer suas próprias necessidades de autoestima.

Essa situação cotidiana, de falta de respeito aos limites do filho e falta de reconhecimento da sua individualidade, pode levar a uma pressão excessiva e ansiedade no filho, que, quando adulto, percebe a necessidade de um acompanhamento psicológico para conseguir lidar com os sentimentos de rejeição, falta de autoestima, busca excessiva por validação, dificuldade de demonstrar suas emoções, pânico, fracasso escolar e/ou profissional, e em alguns casos depressão e até mesmo uma tristeza profunda por não sentir que faz parte deste mundo, não se encontrar, não conseguir se relacionar de forma saudável.

Isso é muito triste e grave! O impacto do narcisismo materno pode ser sentido ao longo da vida dos filhos. Eles podem desenvolver um medo profundo de desagradar aos outros e ter dificuldade em estabelecer limites saudáveis. A dinâmica disfuncional aprendida na infância pode ser replicada em seus próprios relacionamentos, levando a padrões de codependência e abuso.

A Bíblia Sagrada reconhece a importância da mãe e descreve seu papel fundamental na vida dos filhos. Aqui estão algumas referências bíblicas que destacam o valor da maternidade e o papel da mãe:

Honrar a Mãe: O quinto mandamento da Lei de Deus é: “Honra teu pai e tua mãe” (Êxodo 20.12). Isso demonstra a importância de respeitar e valorizar os dois, inclusive a mãe, por tudo o que fazem.

Amor de Mãe: Em Isaías 49.15, compara o amor de Deus ao amor de uma mãe: “Pode uma mulher esquecer-se do seu filho de peito, de maneira que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, contudo eu não me esquecerei de ti.”

Exemplos de Mães Piedosas: Temos exemplos de mães piedosas na Bíblia como Joquebede, mãe de Moisés, que arriscou sua vida para proteger seu filho recém-nascido (Êxodo 2.1-10). Ana, mãe de Samuel, orou fervorosamente por um filho e dedicou-o ao serviço de Deus (1 Samuel 1). A mãe do rei Lemuel ensinou a ele virtudes nobres e justas (Provérbios 31.1-9), entre outras.

Responsabilidade das Mães: As mães têm a responsabilidade de cuidar dos filhos, ensinar valores bíblicos e orientá-los nos caminhos do Senhor. Elas podem influenciar a formação espiritual da família e moldar a sociedade pela fé, amor e educação na esperança de Cristo.

Em resumo, a Bíblia Sagrada reconhece a maternidade como um dom e uma responsabilidade dada por Deus. O amor materno é um reflexo do amor divino, e a mãe tem o privilégio de influenciar gerações através de seu exemplo e ensinamentos.

Portanto, o narcisismo materno vem na contramão de tudo que nosso Deus espera de nós como mães e pode ter efeitos profundos no desenvolvimento emocional e psicológico das crianças, afetando sua autoimagem, relacionamentos e bem-estar geral na vida adulta. Dessa forma, a mãe precisa urgentemente procurar um profissional que possa ajudá-la, caso contrário, com certeza, o filho precisará desse acompanhamento futuramente.

Uma terapia individual pode ser uma ferramenta poderosa para lidar com uma mãe narcisista, que precisa, talvez, de curar feridas emocionais profundas. A mãe precisa reparar sua autoestima, também danificada. Pode ajudar a mãe a desenvolver empatia e compaixão pelo outro, e pelo próprio filho. Pode aprender estratégias para lidar com seu comportamento abusivo, manipulador ou controlador. Pode ajudar a lidar com a angústia interna e encontrar maneiras mais saudáveis de se relacionar com os outros e consigo mesma. Buscar tratamento pode ter benefícios significativos, tanto para ela quanto para quem convive com ela.

O problema é que nós, mães, temos um lema: “Faço o melhor que posso pelo meu filho”, e outro: “Se errei, foi por excesso de cuidado”, e mais outro:
“Mãe não faz nada por mal”. A dificuldade maior é fazer com que a mãe perceba que precisa se tratar, que está educando um ser humano cheio de
problemas e infeliz para o resto da vida. Então, a mãe precisa entender que tem algo errado sim e procurar ajuda enquanto há tempo.

Precisamos quebrar padrões, interromper o ciclo de comportamentos narcisistas e prevenir que futuras gerações sofram os mesmos efeitos. Afinal, somos mães e queremos a felicidade genuína dos nossos filhos.

DaniellaZanini
Neuropsicopedagoga. Consultora Pedagógica. Há 32 anos trabalha na Rede Batista de Educação (RBE), onde atuou como Diretora, Coordenadora Pedagógica, Professora e Monitora. Especialista em Neurociências, Gestão Escolar Integradora, Alfabetização e Multiletramentos, Psicomotricidade e Educação Inclusiva. Experiência como avaliadora em bancas, formadora e revisora de material pedagógico, elaboração de currículo escolar e escritora infanto-juvenil co-participação em material de programa socioemocional. Responsável por elaborar e ministrar treinamentos para diversos públicos. Atuação em desenvolvimento de educadores pedagogos.

Uma resposta a “MÃES NARCISISTAS E O IMPACTO NEGATIVO NA VIDA DOS FILHOS”

  1. Que conhecimento ímpar e necessário. Obrigada.

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