DEIXE SEU FILHO VÊ-LO

Um grande dilema da parentalidade é apresentar aos filhos um discurso que seja confirmado pelo exemplo e pela própria vida dos pais. Dizer o que se deve fazer, sem ser o que se diz, gera um ensinamento esvaziado e que, para os filhos, torna-se hipócrita e sem valor.

 

Aos pais, da parte de Deus, foi dada a responsabilidade de ensinar e conduzir os filhos à maturidade e à vida adulta. Aos filhos, foi dado por Deus, a obediência e o respeito aos pais.

 

Orientar a instrução dos filhos, ministrando lições acerca da liberdade e responsabilidade, é um encargo vital atribuído aos pais. Essa trajetória de aprendizagem transcende as meras palavras, sendo forjada no seio familiar, onde se tece uma vigorosa rede de vínculos emocionais e preceitos morais que, por sua vez, reverbera na sociedade. A afetividade calorosa no âmbito familiar não apenas constrói um respeito mútuo, mas também espelha um compromisso com a dignidade humana.

 

É na família que todo ser humano terá os primeiros contatos sociais e lidará com suas emoções, aprendendo sobre a vida. Ela é a base na formação do ser. A atenção e a ternura dos pais em relação aos filhos são essenciais e precisam estar presentes desde a gestação, permeando o parto e o nascimento, e devem expandir-se de forma contínua durante a infância e adolescência, fortalecendo os vínculos parentais.

 

Neste contexto, pais e mães unem esforços para o crescimento e desenvolvimento integral dos filhos em todas as esferas: física, mental, moral e ética. À mãe, muitas vezes, atribui-se um papel mais maleável, fornecendo sentimentos de afeto e segurança; enquanto o pai frequentemente assume o papel de moldar o caráter e a personalidade. Um renomado teólogo nos faz recordar que “cabe ao pai mostrar ao filho que a vida não é apenas conforto, mas também labor, não é apenas benevolência, mas também enfrentamento, que não há apenas vitórias, mas também derrotas, e que não há somente ganhos, mas também perdas“. Os pais têm a missão de educar sobre os limites da vida e infundir valores éticos e morais, que serão o fundamento da personalidade, já que cada filho é reflexo de suas experiências familiares. Desse modo, será pela integração destes papéis que se desenvolverá um indivíduo equilibrado e pronto para a vida.

 

Quando a família falha no cuidado e no acolhimento aos filhos, sequelas podem ser estabelecidas nos corações, que estão se desenvolvendo, inclusive gerando perdas cognitivas e emocionais. Pais que são uma base forte, carinhosos, acolhedores com seus filhos desde o nascimento, têm filhos que se desenvolvem com saúde emocional, física e espiritual.

 

Pais presentes na vida dos filhos se permitem ser vistos. Não estão escondidos, apresentando uma figura que sugere uma fachada, mas são, para os filhos, autênticos em suas ações e intenções. Ensinam com a própria vida. Estão conectados aos filhos de forma resistente e permitem-se deixar conhecer. Você deixa seu filho vê-lo verdadeiramente?

 

Muitos pais estão escondidos! Nas telas do celular, no trabalho, nas feridas da vida, nos dilemas não solucionados, na cobiça ou em suas dores. Os filhos percebem e sabem o que está acontecendo e muitas vezes, em uma missão silenciosa e custosa, procuram os pais, na tentativa de conhecê-los verdadeiramente e criar um relacionamento profundo. Por isso, deixe seus filhos vê-los! Não se esconda.

 

Deixe seu filho te ver crescer

 

Muitos adultos pensam que, ao atingir um certo patamar da vida, não precisam mais buscar amadurecimento, crescimento, nem alcançar novos sonhos e objetivos. Encontram-se prostrados e sem esperança. Deus tem caminhos de paz para nós, de prosperidade nas oportunidades que Ele mesmo tem a nos oferecer. Por isso, deixe seu filho ver você lutar por algo novo, por um sonho e um novo objetivo de vida, cuja meta é impactar o mundo positivamente. Ensine seu filho, com sua própria vida, a crescer!

 

Deixe seu filho te ver chorar.

 

Muitos pais escondem suas mazelas e dores dos filhos. Não estou dizendo que tudo deve ser compartilhado. Para cada etapa da vida, uma quantidade de maturidade é acrescida. Por isso, na medida do que seu filho pode receber, permita que ele lhe veja chorar. Isso mostrará que a dor e o sofrimento estão presentes na vida, mas que é possível superar. Pedir um colo ao seu filho no final de um dia difícil é uma grande oportunidade de conexão. A fraqueza está em não pedir ajuda ou dividir o fardo. A Bíblia nos ensina em Gálatas 6.2: “Levem os fardos pesados uns dos outros”. Ensine seus filhos a dividirem os próprios fardos ao verem que você deseja que eles participem da sua vida, sendo suporte também.

 

Deixe seu filho te ver curar.

 

Muitos pais carregam marcas que a vida deixou. Sofrem por situações vividas na infância ou adolescência. Muitos não tiveram pais piedosos e presentes e estão com a bagagem da vida repleta de feridas que, volta e meia, retornam para assombrar o coração e fazem estremecer a alma. Jesus nos convida a ir até Ele, todo cansado e sobrecarregado, para receber alívio e cura. Não tenha medo de deixar Jesus tocar em suas feridas mais profundas. Permita que sua família seja os braços de Jesus para você. Não se esconda em suas dores. Não as trate como visitas desejáveis. Deixe seu filho ver o que Jesus pode fazer no coração rendido a Ele. Experiências de fé vividas pelos pais geram em seus filhos a certeza da existência de um Deus que cura.

 

Deixe seu filho te ver recomeçar.

 

Há momentos na vida em que precisamos recomeçar. Isso não é ruim. Recomeços são necessários. Tolice é insistir no erro ou no caminho já desgastado e infeliz. Não tenha vergonha de recomeçar. Com apoio da família, novos caminhos e oportunidades podem surgir. Deixe seu filho ver você vivendo algo novo. Ensine a ele coragem e força. Mostre que é possível, depois dos erros, viver acertos e desfrutar de uma nova perspectiva em família.

 

Deixe seu filho simplesmente te ver.

 

Não se esconda na correria da vida e da rotina. Olhe nos olhos do seu filho. Antes de sair de casa pela manhã, perceba sua família. Veja quantas novas espinhas estão nascendo no rosto do seu adolescente. Perceba o primeiro batom que sua filha está usando. Escute o primeiro soletrar da sua criança. Não se esconda nas mídias sociais, não ria apenas das piadas dos vídeos engraçados da internet. Sorria para seus filhos e para seu cônjuge. Toque seu rosto, dê um beijo na testa. Abrace. Saia da caverna da vida. Deixe seu filho te observar, enxugar uma lágrima, dizer uma palavra de incentivo, tocar o seu coração com a cura do amor da família e que vem de Deus.

 

Deixe o Filho te amar.

 

Mas para isso, você precisa deixar o Filho te amar. Na primeira carta de João, no capítulo 4, verso 19, compreendemos: “Nós o amamos, porque Ele nos amou primeiro”. Podemos amar a Deus e entender o que é o amor porque Ele decidiu nos amar e se revelar. O amor se tornou conhecido dos homens e podemos desfrutá-lo através do Seu Filho. Somos amados por Jesus e, assim, podemos seguir crescendo, chorando, sendo curados e recomeçando, e ensinando a nossos filhos que eles também terão momentos em que precisarão crescer, chorar, permitir-se, curar e recomeçar.

 

Deixe seu filho te ver viver com Jesus e ele compreenderá, de forma viva, o que significa ser visto pelo próprio Deus, que nos olha com amor, graça e misericórdia!

 

Pr. Nícolas Bastos

Capelão da Unidade BH Floresta Séries Finais

Coordenador do Programa Batista Família

Uma resposta para “DEIXE SEU FILHO VÊ-LO”.

  1. Que lindo e inspirador! Que Deus os abençoe!

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