Um dos maiores equívocos sobre o casamento é pensar nele como uma balança: cada um deve dar 50% para que funcione. Essa ideia, embora popular, não descreve a realidade de uma vida a dois. O amor não é uma conta exata, nem deve ser administrado como dívida e crédito.
Casamentos que florescem aprendem outra lógica: a do cuidado que não mede forças. Amar, nesse sentido, não é disputar quem se doa mais, mas aprender a servir sem esperar retribuição imediata.
O risco de um amor competitivo
Muitos casais entram em ciclos de cobrança: “Eu faço mais do que você”, “Eu me esforço e você não percebe”. Esse tipo de pensamento mina a relação, porque transforma o casamento em uma disputa silenciosa, onde o objetivo é provar quem dá mais. No final, ambos se sentem perdedores.
Esse é o retrato de um amor centrado em si mesmo, onde o servir só acontece quando há retorno garantido. Mas o amor verdadeiro não é movido por contrato, e sim sustentado por entrega.
O caminho do amor que sustenta
Quando Jesus falou sobre amar ao próximo, apresentou o cuidado como prática diária, mesmo em situações de desgaste. Esse princípio vale de forma especial dentro do lar. Amar no casamento significa:
• Praticar gestos de cuidado quando não há clima favorável
• Ouvir sem pressa, mesmo quando o dia foi difícil
• Estender a mão em vez de levantar a voz
É nesse terreno, simples e constante, que a confiança se fortalece.
Histórias que ensinam
Em encontros com famílias, é comum ouvir testemunhos de casais que passaram por períodos de desequilíbrio: doença, crise financeira, sobrecarga no trabalho. Nesses momentos, a matemática do 50/50 desaparece. Um lado precisa oferecer mais, às vezes 80%, 90%. E quando há amor disposto a servir, o relacionamento não só sobrevive, como amadurece.
Um exercício para esta semana
Escolham um dia para conversar sobre isso:
• O que cada um tem valorizado no outro ultimamente?
• Em quais áreas temos medido esforços em vez de doar livremente?
• Que gesto concreto de serviço podemos praticar nos próximos dias?
O casamento não é um campo de batalha para medir quem se doa mais. É uma aliança sustentada por um amor que não disputa, mas constrói. Quando cada cônjuge decide abrir mão da competição e abraçar a prática do cuidado mútuo, o lar se torna espaço de descanso, confiança e renovação.


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