Se você já ligou para o seu filho adolescente e recebeu apenas o silêncio como resposta, não está sozinho. Para muitos pais, isso pode parecer falta de respeito. Para eles, no entanto, é simplesmente o jeito natural de se comunicar hoje.
O que para as gerações anteriores era sinal de atenção e proximidade — atender prontamente o telefone —, para os mais jovens pode soar como invasão de espaço. Eles preferem mensagens, áudios e redes sociais. Isso não significa que não se importam, mas que estão criando novas regras de convivência digital.
O que está acontecendo?
Controle do tempo e das emoções. Atender uma ligação exige estar disponível imediatamente. Para muitos adolescentes, isso gera ansiedade. A mensagem escrita ou o áudio permitem pensar, apagar, reescrever e escolher o momento certo de responder
Mudança de etiqueta social. Não atender já não é visto como grosseria, mas como forma de preservar limites pessoais
Silêncio como comunicação. Para os adolescentes, estar offline por escolha é uma maneira legítima de descansar, proteger a mente e recuperar energia
Como os pais podem lidar com isso?
Conversem sobre preferências
Pergunte ao seu filho como ele prefere se comunicar. Estabeleçam juntos quando uma ligação é necessária, como em emergências, e quando uma mensagem é suficiente
Combine códigos claros
Um simples “Posso ligar?” por mensagem antes de chamar pode evitar mal-entendidos. Isso demonstra respeito pelas rotinas dele
Aprenda a valorizar outras formas de contato
Um áudio, uma foto ou até um emoji podem ser sinais de carinho. Nem sempre a ligação é a única forma de atenção
Mostre também sua perspectiva
Explique que, para você, ouvir a voz ainda é importante em certas situações. Essa troca ajuda a criar equilíbrio entre as gerações
Não interprete o silêncio como rejeição
Muitas vezes, não atender não é descaso, mas apenas a necessidade de respirar e se desconectar
Um convite à compreensão
Mais do que se apegar ao “jeito certo” de se comunicar, vale perceber que os códigos mudaram. O desafio não é resgatar o telefone fixo de antigamente, mas aprender a criar pontes de diálogo, respeitando diferenças sem perder a conexão afetiva.
No fim, os adolescentes não estão pedindo para falar menos — estão pedindo para falar melhor, de um jeito que faça sentido para eles e que preserve a saúde emocional de todos.


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