A puberdade tem chegado cada vez mais cedo; basta olhar a turma do sexto ano para perceber que os corpos já mudam, as piadas mudam e os olhares também. O que muita família ainda subestima é a velocidade com que meninos pré-adolescentes são expostos a imagens, vídeos e comentários sexualizados — em um intervalo qualquer na escola, em um clique “inocente” no celular, na conversa do videogame on-line ou com os amigos. Quem cala, consente: se o pai não fala, as vozes do corredor e da tela assumem o papel de mestres.
Falar de sexualidade, portanto, não é uma opção educativa; é ato de proteção e cuidado. Mas como fazê-lo sem constrangimento, sem pieguices e, sobretudo, com honestidade? A resposta exige três movimentos que se complementam: preparar o coração dos pais, preparar o terreno da confiança e apresentar a verdade de forma clara.
1. Comece pelo pai que você é, não pelo pai que gostaria de parecer
Antes de falar, pergunte a si mesmo o que você carrega quando o assunto é sexo. Silêncios familiares, tabus religiosos, pecados nunca nomeados? Nenhum menino se sentirá seguro se perceber vergonha ou agressividade no seu tom. Ore, acerte o passo com Deus, peça sabedoria e lembre-se de que ensinar o seu filho não depende de ter um passado impecável, mas de ter humildade para oferecer cuidado agora.
2. Construa um espaço de conversa antes da conversa crítica
Para que seu filho confie em você nos temas difíceis, precisa sentir-se ouvido nos assuntos simples. Pergunte sobre o treino, sobre o melhor amigo, sobre o meme que ele viu. Escute sem corrigir cada detalhe. Aos poucos, ele aprenderá que o pai é um lugar seguro. Quando você, então, introduzir sexualidade, a ponte da confiança já estará pronta.
3. Traga o assunto à mesa com naturalidade, não como emergência
Escolha um momento calmo, longe de tensão ou de correção disciplinar. Pode ser uma caminhada de fim de tarde, ou o trajeto de carro onde ninguém precisa manter contato visual o tempo todo. Explique que o corpo começa a mudar por dentro e por fora: crescimento de pelos, aumento dos testículos, primeiras ereções inesperadas. Use as palavras corretas; apelidos infantis só reforçam constrangimento. Descreva o desejo sexual como parte da criação boa de Deus, destinada a amadurecer dentro de um compromisso exclusivo e público chamado casamento.
É importante ir além da biologia. Mostre que sexo não foi inventado por atores de filmes ou pela indústria de cliques; foi projetado como expressão de aliança, não de consumo. Quando um menino entende que seu corpo tem dignidade espiritual, ele olha para as próprias sensações com menos culpa e mais responsabilidade.
4. Entre na zona cinzenta onde as perguntas moram
Ele pode perguntar sobre masturbação, sobre pornografia, sobre a garota que beija todos no recreio. Responda sem risadinhas nem sermão. Reconheça que a curiosidade é legítima, mas ensine a diferença entre conhecer e praticar. Deixe claro que imagens pornográficas sequestram o prazer criado por Deus, transformando pessoas em produtos; convide-o a pensar se isso combina com o respeito que ele deseja receber um dia.
Caso o menino não pergunte nada, pergunte você: “O que seus amigos comentam sobre namorar?”, “Alguém já mostrou algum vídeo pesado?”. Mostre interesse real. Se ele se abrir, resista ao impulso de dar lição imediata. Primeiro, agradeça pela confiança. Depois, traga perspectiva bíblica e explique limites práticos — bloqueadores de conteúdo, tempo de tela supervisionado, acordos claros sobre celular no quarto.
5. Transforme limites em formação de caráter, não em cerca de medo
Dizer apenas “não faça” produz obediência de curto prazo e rebeldia de longo prazo. Explique o porquê. Sexo fora do casamento mente: promete intimidade sem compromisso, prazer sem responsabilidade, união sem aliança. Mostre exemplos de escolhas sábias na Escritura — José que correu de Potifar, Daniel que não se contaminou, Paulo que exortou a fugir da imoralidade. Ensine que viver pureza não é reprimir-se, mas proteger algo precioso para o tempo certo.
6. Volte ao assunto periodicamente
A puberdade não acontece em uma noite; tampouco a formação do caráter sexual. Volte ao tema em doses regulares: após uma reportagem, depois do culto sobre família, quando surgir um namoro na classe dele. Cada conversa reforça a mensagem: “Você pode falar comigo sobre qualquer coisa”.
7. Modele o que ensina
Seu filho observa como você trata as mulheres, como fala sobre o corpo, o tipo de humor que aceita em casa. A coerência silenciosa valerá mais que muitas palestras. Demonstre respeito, fidelidade e autocontrole. Quando falhar, peça perdão — essa é a teologia aplicada que ele levará para a vida.
Conclusão
Conversar sobre sexualidade com um menino pré-adolescente não rouba inocência; oferece visão bíblica antes que a cultura entregue distorção. É tarefa que exige coragem, mas, principalmente, amor disposto a proteger e orientar. A voz do pai, quando firme e cheia de graça, torna-se a referência que o filho procurará quando a confusão bater à porta. Fale cedo, fale claro, fale sempre — e deixe que a verdade plante raízes mais profundas que qualquer mentira do mundo.
Equipe Batista Família


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