Quando ele começou a se afastar…
O relato de uma mãe que teme pelo futuro da sua família
Eu achava que meu marido seria o líder espiritual do nosso lar.
Quando nos casamos, ele era envolvido, participava da igreja, orava comigo, falava da Palavra com segurança. Eu via nele o homem que guiaria nossa casa com fé, firmeza e temor a Deus.
Mas as coisas mudaram.
De forma lenta, quase imperceptível no início. Primeiro, vieram os domingos em que ele “só queria descansar”. Depois, os comentários cínicos sobre a igreja. As piadas com pastores. O desinteresse pelos cultos online durante a pandemia. A Bíblia dele ficou esquecida na estante. E o brilho nos olhos, quando falava de Deus… desapareceu.
Hoje, ele ainda diz que acredita.
Mas não vive mais como antes.
Não ora com os filhos.
Não participa dos nossos momentos devocionais.
E, às vezes, parece irritado quando eu insisto.
E eu? Eu estou cansada.
Cansada de tentar manter tudo de pé sozinha.
De ser o “motor espiritual” da casa.
De explicar aos meus filhos por que o pai não quer ir à igreja.
De conter meu medo de que eles cresçam achando que fé é coisa de mulher.
Cansada de orar e parecer que nada muda.
Sinto raiva, às vezes.
Sinto tristeza.
Sinto solidão.
Mas, acima de tudo, sinto medo.
Medo de perder meu marido para o mundo.
Medo de perder meus filhos para uma fé sem raízes.
Medo de que nossa casa, tão sonhada como um lar cristão, se transforme apenas num lugar funcional — mas vazio espiritualmente.
Mas mesmo nesse cansaço… ainda há fé.
Fé de que Deus vê o que eu vivo.
Que Ele não despreza lágrimas derramadas em silêncio.
Que Ele entende esse nó que sinto na garganta quando finjo força diante dos filhos.
Tenho aprendido que não posso mudar meu marido com pressão.
Que fé não se impõe.
Que oração não é mágica — é perseverança.
E que minha função não é consertar ninguém, mas permanecer fiel mesmo quando o outro vacila.
É difícil. Muito.
Mas é nesse lugar frágil que, curiosamente, Deus tem falado mais forte comigo.
Ele me lembra que é Pai dos meus filhos.
Que ama minha família mais do que eu.
Que é capaz de despertar corações adormecidos.
E que me sustenta — mesmo quando só consigo orar com um suspiro.
Então, continuo.
Orando sem alarde.
Educando com firmeza e amor.
Semeando a fé no cotidiano.
Pedindo sabedoria para amar meu marido sem anular minha convicção.
Talvez você, que lê isso, esteja vivendo o mesmo.
E eu quero te dizer: você não está sozinha.
Há outras mulheres, outras mães, outros corações tentando manter a fé acesa no meio da escuridão doméstica.
E, mais do que isso, há um Deus presente — ainda que pareça em silêncio.
Ele vê.
Ele age.
E Ele não desiste da sua casa.


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