Se você ainda não teve essa conversa com seu filho, entenda: ele já teve essa “conversa” com o mundo. E, quase sempre, foi uma conversa silenciosa — travada por meio de imagens, vídeos, memes, grupos de WhatsApp e vídeos “sugeridos” no YouTube. O mundo discipula — e discipula cedo. E o conteúdo não é neutro.

A pornografia deixou de ser um “assunto de adultos”. Tornou-se uma das primeiras janelas pelas quais muitos meninos têm contato com a sexualidade — e essa janela se abre cada vez mais cedo. Pesquisas indicam que a exposição inicial ocorre entre 9 e 11 anos de idade, geralmente de forma acidental. Mas os efeitos são imediatos, profundos e espiritualmente destrutivos.

A neurociência confirma o que a Bíblia já revela sobre os efeitos do pecado: o coração humano se apega ao que é proibido (Rm 7.8), e o pecado, quando não interrompido, gera um ciclo de escravidão (Jo 8.34). A dopamina liberada pelo cérebro diante de cenas explícitas cria um circuito de prazer intenso. A criança, sem maturidade para processar, sente algo que não entende — mas que quer repetir. Assim, forma-se um laço entre pornografia e prazer, entre ansiedade e alívio, entre culpa e silêncio.

Esse ciclo, se não for quebrado, se perpetua — moldando mente, afetos e comportamento.

“Mas meu filho é da igreja. Ele é bem-educado.”

Isso não é proteção. Isso pode ser uma ilusão.

A queda de Davi — um homem segundo o coração de Deus — nos lembra que nem mesmo os piedosos estão imunes à tentação sexual (2Sm 11). O pecado não respeita boa educação, posição espiritual ou histórico familiar. A pornografia vicia e escraviza porque atua nas sombras, em silêncio, na ausência de conversa e vigilância.

Quando o pai se omite, a cultura assume o papel de educadora. A internet, os colegas, os algoritmos e os influenciadores passam a ensinar — e o que ensinam é perverso.

A pornografia não é neutra. Ela reconfigura o cérebro, deturpa o olhar, endurece o coração (Ef 4.18-19). Ensina que o corpo é objeto, que o sexo é consumo, que a mulher é produto. Ela modela uma masculinidade distorcida — superficial, agressiva, desumanizada.

E quando o pai também está preso nisso?

Essa é a realidade de muitos homens. Querem ensinar os filhos, mas se calam porque se sentem desautorizados. Porque também caem. Porque escondem sua própria vergonha.

Mas aqui está a esperança do Evangelho: “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5.20). Você não precisa estar totalmente livre para começar a orientar seu filho. Você precisa estar arrependido e disposto.

Pais que reconhecem suas próprias lutas e buscam viver na luz (1Jo 1.7) são instrumentos de Deus na vida de seus filhos. A autoridade não vem da perfeição, mas da sinceridade, da humildade e da disposição de guiar com graça.

Seu filho não precisa de um pai impecável. Ele precisa de um pai presente, verdadeiro, disposto a conversar sobre aquilo que o mundo já está ensinando de forma distorcida.

Por onde começar?

  • Comece de joelhos. Ore. Essa conversa não nasce de um sermão, mas de um coração quebrantado. Peça sabedoria a Deus (Tg 1.5), peça coragem, peça discernimento.

  • Escolha o momento certo. Um ambiente tranquilo, sem distrações, pode abrir espaço para vulnerabilidade. Um passeio, um tempo a sós.

  • Seja claro e direto. Diga: “Filho, quero conversar com você sobre pornografia. Já viu algo assim? Já ouviu falar?” Comece com perguntas, não com acusações.

  • Explique os riscos. Fale sobre os efeitos no cérebro, nas emoções, nos relacionamentos. Mas vá além: fale sobre o coração. Mostre como a pornografia desumaniza, rompe a imagem de Deus no outro (Gn 1.27) e substitui a comunhão por isolamento.

  • Ofereça acolhimento. Se ele já viu — e a chance é alta — não se desespere. Não reaja com raiva. Respire. Escute. Mostre que está ao lado dele, como um aliado, não como um juiz.

  • Volte ao tema. Não basta uma conversa. A vigilância é contínua. O mundo não se cala — e você também não pode se calar.

Ensine, corrija, exorte, acompanhe. Com amor e verdade (Ef 4.15). Seja pai. Assuma seu chamado de ser sacerdote do lar (Dt 6.6-7).

Se você se calar, o mundo continuará falando — e ensinará tudo errado.

Mas você pode ensinar certo. Com a verdade do Evangelho. Com amor firme. Com presença constante. Mesmo que falhe, mesmo que caia, Deus levanta os que se arrependem — e você pode se levantar com seu filho.

Programa Batista Família

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