“Eu tento… mas não consigo. Quando percebo, já cedi de novo.”
“Ele grita, bate o pé, me encara. E eu, com medo de machucar, deixo passar.”

Esses relatos, tão comuns nas rodas de conversa entre pais, revelam algo mais profundo que insegurança: revelam uma crise de autoridade, um dos grandes desafios da nossa geração. E não é uma crise apenas emocional ou social. É espiritual.

A boa notícia? Você não está sozinho. E com a ajuda de Deus, ainda há tempo para mudar.

1. Onde tudo começou a se perder

Muitos pais de hoje foram criados sob um modelo rígido: autoridade era sinônimo de medo, obediência nascia da força. Agora, adultos, tentam fazer diferente. E fazem. Mas às vezes vão ao extremo oposto: excesso de afeto, falta de direção.

Assim, sem perceber, invertem a ordem criada por Deus: os filhos assumem o comando, e os pais se tornam reféns emocionais. Isso é grave, porque Deus estabeleceu os pais como responsáveis pela formação do coração dos filhos (Pv 22.6; Ef 6.4).

Filhos não precisam de tronos. Precisam de limites seguros. Precisam de pais que sejam bússolas, não espectadores.

2. Limite não é punição. É discipulado.

Dar limite não é castigar. É discipular, guiar, corrigir em amor. É cumprir o papel que Deus confiou: “O Senhor corrige a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem” (Pv 3.12).

Limites ensinam a criança a discernir entre certo e errado. Eles revelam que o mundo não gira em torno de suas vontades, e que há uma autoridade maior — primeiro os pais, depois Deus.

A ausência de limite produz filhos que “fazem o que parece certo aos próprios olhos” (Jz 17.6), mas cujos caminhos são de dor.

3. Por que é tão difícil colocar limites hoje?

Muitos pais carregam culpas invisíveis: por trabalhar demais, por não saber lidar, por achar que dizer “não” é ser duro demais. Mas a verdade é que o “não” protege, fortalece, amadurece.

A Palavra de Deus nos ensina que a disciplina, embora pareça dura no momento, depois produz fruto pacífico de justiça (Hb 12.11). Limitar não é rejeitar — é amar com sabedoria.

4. O perigo da incoerência

Quando o “não” de hoje vira o “sim” de amanhã, a autoridade é desgastada e o coração da criança se inclina à manipulação. “Seja o vosso falar: sim, sim; não, não” (Mt 5.37). Isso vale também para a paternidade.

A constância revela firmeza. A incoerência revela insegurança. Os filhos precisam de pais previsíveis — não no temperamento, mas nos princípios.

5. Amor sem limites adoece. Amor com firmeza cura.

Existe um tipo de “amor” que, embora bem-intencionado, é omisso. Esse amor alimenta desejos, mas abandona o caráter. Esse “amor permissivo” é como o de Eli, sacerdote que não repreendeu seus filhos quando deviam ser corrigidos — e sofreu a disciplina de Deus por isso (1Sm 2.12–25; 1Sm 3.13).

O verdadeiro amor bíblico corrige com mansidão, mas também com firmeza. “Quem poupa a vara odeia seu filho, mas quem o ama, desde cedo o disciplina” (Pv 13.24). Não se trata de violência, mas de autoridade com ternura, firmeza com afeto.

6. Dicas práticas para recomeçar

  • Reveja suas regras: Elas são claras e consistentes? Ou mudam conforme seu cansaço?

  • Dê consequências, não ameaças: “Se não guardar os brinquedos, amanhã não brinca.” Ensine causa e efeito.

  • Seja exemplo: Obedeça você mesmo às regras que espera que seus filhos sigam.

  • Corrija com calma: “A resposta branda desvia o furor” (Pv 15.1). Gritar não ensina. Ensina o grito.

  • Ore por sabedoria: A criação de filhos é um chamado espiritual. “Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente” (Tg 1.5).

7. Ainda dá tempo de virar a chave

Talvez você tenha errado. Todos erramos. Talvez tenha sido permissivo demais. Mas Deus é especialista em recomeços. Educar é uma jornada — não um momento isolado. E há graça para os que reconhecem suas falhas e decidem recomeçar.

Deus nos chama para amar, instruir e corrigir com diligência. Os filhos são herança do Senhor (Sl 127.3), mas a responsabilidade de criá-los é nossa. Como diz Efésios 6.4:
“E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor.”

Conclusão:

Não fuja do seu papel. Não entregue sua autoridade ao medo, à culpa ou à cultura. Seja pai. Seja mãe. Com humildade, com oração, com firmeza e com amor.

Porque o Senhor corrige a quem ama. E Ele escolheu você para amar seu filho assim.

Programa Batista Família

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