Nenhum pai ou mãe gosta de admitir, mas essa é uma pergunta que muitas famílias evitam encarar: será que, no fundo, temos um filho favorito?
A resposta pode ser desconfortável, mas tanto a ciência quanto a experiência mostram que, em muitos casos, os pais acabam desenvolvendo preferências sutis por um dos filhos. Isso pode ocorrer por diversos fatores, como personalidade, afinidade, ordem de nascimento e até circunstâncias específicas da vida familiar.
No entanto, o problema não está apenas na existência de uma preferência, mas no impacto que isso pode ter sobre os filhos e a dinâmica familiar.
Preferência não significa amor maior ou menor
Ter mais afinidade com um filho do que com outro não significa que você ame menos qualquer um deles. Muitas vezes, essa proximidade é natural e pode ser influenciada por fatores como:
- Um filho ter uma personalidade mais parecida com a sua.
- A fase da vida de um deles exigir mais atenção.
- Determinadas circunstâncias aproximarem você mais de um filho em um momento específico.
O problema surge quando essas preferências são percebidas pelos filhos e afetam a forma como eles se sentem dentro da família. Estudos indicam que crianças que percebem favoritismo podem desenvolver insegurança, baixa autoestima e dificuldades de relacionamento com os irmãos e até na vida adulta.
O que a ciência diz sobre filhos favoritos?
Pesquisas indicam que o favoritismo parental é mais comum do que imaginamos. Um estudo da Universidade da Califórnia revelou que cerca de 70% das mães e 65% dos pais admitem tratar um dos filhos de forma especial. No entanto, a maioria evita reconhecer isso publicamente por sentir culpa ou medo de prejudicar os outros filhos.
Além disso, especialistas apontam que o favoritismo pode se manifestar de diferentes formas:
- Filho primogênito – Muitas vezes recebe mais responsabilidades e expectativas.
- Filho caçula – Pode ser visto como o “bebê da família” e receber mais proteção.
- Filho do meio – Em algumas famílias, sente-se “esquecido” entre os irmãos.
- Filho com características semelhantes aos pais – Pode receber mais atenção por ter interesses ou comportamentos parecidos.
- Filho que enfrenta desafios – Crianças com dificuldades emocionais ou de saúde podem demandar mais cuidados, criando a impressão de favoritismo.
Os perigos do favoritismo dentro da família
Mesmo quando não é intencional, o favoritismo pode gerar impactos negativos na dinâmica familiar:
- Rivalidade entre irmãos – O filho que se sente menos favorecido pode criar um sentimento de competição.
- Peso emocional sobre o filho favorito – Muitas vezes, ele sente a pressão de corresponder às expectativas dos pais.
- Dificuldades de autoestima – O filho menos favorecido pode crescer sentindo que precisa se esforçar mais para ser aceito.
- Distanciamento emocional – Se um filho percebe que nunca é “o preferido”, pode se afastar da família.
A Bíblia nos traz exemplos de como o favoritismo pode causar conflitos. Em Gênesis 37.3-4, vemos que Jacó demonstrava uma clara preferência por José, o que despertou inveja e ódio entre seus irmãos. Essa rivalidade resultou em traição e sofrimento para toda a família.
Esse relato mostra que o favoritismo não apenas causa dor nos filhos, mas também destrói a unidade familiar.
Como evitar o favoritismo e criar um ambiente equilibrado?
Se você percebe que pode estar tratando um filho de forma diferente, não se culpe. O mais importante é reconhecer e buscar ajustar essa dinâmica dentro de casa. Algumas estratégias para evitar favoritismos incluem:
- Reflita sobre suas atitudes. Pergunte-se se, sem perceber, você está dando mais atenção, elogios ou privilégios para um dos filhos.
- Garanta que cada filho receba atenção individual. Tire momentos para conversar e estar presente na vida de cada um.
- Evite comparações. Nunca diga frases como “seu irmão faz isso melhor” ou “você deveria ser mais como sua irmã”.
- Demonstre amor de formas diferentes. Cada criança tem sua personalidade e necessidades. O importante é que todas se sintam igualmente amadas.
- Peça perdão se necessário. Se um filho já expressou que se sente menos amado, tenha humildade para pedir desculpas e mudar sua postura.
- Crie um ambiente de valorização mútua. Ensine seus filhos a reconhecerem as qualidades uns dos outros, em vez de competirem entre si.
A Bíblia nos ensina que devemos tratar nossos filhos com justiça e amor. Efésios 6.4 nos orienta:
“Pais, não irritem seus filhos; antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor.”
Isso significa que devemos buscar sabedoria para criar nossos filhos de maneira equilibrada, sem distinções que possam causar feridas emocionais.
Ter filhos favoritos pode ser algo que acontece sem intenção, mas os impactos dessa percepção podem ser duradouros. Como pais, nossa missão é garantir que todos os nossos filhos se sintam amados, valorizados e respeitados, cada um com sua individualidade.
Que possamos construir lares onde o amor de Deus seja o guia, onde todos se sintam igualmente importantes e onde o coração de cada filho seja cuidado com o mesmo zelo.
Nos comentários: Você já percebeu sinais de favoritismo na sua casa ou em outras famílias? Como você lida com isso? Compartilhe sua experiência.
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Equipe Batista Família


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