Nos últimos anos, muitos pais têm relatado um sentimento crescente de exaustão. A sensação de que criar filhos está mais desgastante do que nunca se tornou comum, e termos como parentalidade intensiva e helicopter parenting (pais superprotetores) têm ganhado espaço nas discussões sobre educação. Mas será que as responsabilidades realmente aumentaram ou estamos lidando de maneira diferente com essas demandas?
De acordo com estudos recentes sobre o uso do tempo pelos pais, a quantidade de tempo que eles passam com os filhos não aumentou de forma significativa nas últimas décadas. O que mudou, de fato, é como esse tempo está sendo utilizado e o impacto emocional dessas mudanças nas famílias.
Mudança no Tempo com os Filhos
Historicamente, a criação dos filhos era muitas vezes um esforço compartilhado entre amigos, familiares e vizinhos. As crianças podiam brincar com outras da mesma faixa etária enquanto os pais dividiam as responsabilidades, o que criava um senso de comunidade e aliviava a carga individual. No entanto, a vida moderna trouxe mais individualidade às famílias, e, com isso, mais responsabilidades recaem sobre os pais.
Estudos de uso do tempo indicam que, embora os pais estejam mais presentes fisicamente, esse tempo passou a ser ocupado por atividades mais estruturadas e direcionadas ao desenvolvimento das crianças. As mães, por exemplo, passaram a focar em atividades educacionais e “mãos na massa”, como supervisionar tarefas escolares, participar de atividades extracurriculares e se envolver diretamente nas brincadeiras. Isso aumentou a intensidade emocional desse tempo, transformando momentos que antes eram de lazer em momentos de supervisão constante.
Por outro lado, muitos pais, especialmente aqueles que não são casados ou têm guarda compartilhada, frequentemente integram os filhos em suas atividades cotidianas, como fazer compras ou realizar tarefas domésticas. Esse comportamento reflete uma mudança significativa na forma de participar da criação, misturando a rotina dos pais com o tempo de convivência familiar.
O Verdadeiro Vilão: O Isolamento Social
Além das mudanças nas atividades, outro fator importante que contribui para a sensação de cansaço é o isolamento social. Estudos mostram que, nas últimas décadas, houve uma redução significativa no tempo que os pais passam socializando com amigos, afetando principalmente as mães.
Pesquisas indicam que o tempo de convivência social com amigos, especialmente com outros pais, diminuiu consideravelmente. Se no passado os encontros entre famílias ou com amigos próximos eram comuns e ajudavam a compartilhar a carga de responsabilidades, hoje esse tipo de interação se tornou mais raro. Muitos pais, especialmente as mães, relatam que a sensação de solidão na criação dos filhos aumentou significativamente, levando a um maior estresse emocional.
A Pressão das Redes Sociais
Outro fator que contribui para essa sensação de exaustão é o impacto das redes sociais e da constante comparação. Com o advento dos smartphones, muitos pais se veem expostos a diferentes “modelos ideais” de criação — como gentle parenting (criação com empatia) ou free-range parenting (criação livre). Essas influências, muitas vezes conflitantes, geram uma pressão para seguir padrões de parentalidade que nem sempre se encaixam na realidade de cada família.
Discussões online sobre criação de filhos, saúde e métodos de disciplina podem se tornar desgastantes e criar um ambiente de comparação constante. Em vez de funcionarem como uma rede de apoio, muitas vezes essas interações virtuais aumentam a sensação de inadequação, fazendo com que os pais se sintam julgados e solitários em sua jornada.
A Reconexão é o Caminho
Embora o tempo que os pais passam com os filhos não tenha mudado tanto, o isolamento social e a pressão por perfeição têm tornado a criação dos filhos mais solitária e emocionalmente exaustiva. O verdadeiro alívio pode estar na reconexão — não apenas com os filhos, mas também com a comunidade ao redor. Resgatar o senso de comunidade, compartilhar responsabilidades com amigos e familiares e permitir que a criação seja algo mais leve e colaborativo pode transformar a forma como lidamos com o papel de pais.
Os pais não precisam carregar o fardo da criação sozinhos. É essencial cultivar uma rede de apoio, seja com amigos, vizinhos ou familiares, para que o trabalho de criar os filhos seja mais saudável e equilibrado.
O Poder da Conexão
Criar filhos é, sem dúvida, uma tarefa desafiadora. No entanto, não precisa ser solitária. Reencontrar a comunidade, seja por meio de amigos, familiares ou outras famílias, pode ser a chave para aliviar o cansaço que muitos pais sentem hoje. Além disso, desconectar-se das pressões das redes sociais e focar no que realmente importa — as relações e o bem-estar da família — pode trazer alívio para a mente e o coração.
Equipe Batista Família


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