Ser pai ou mãe é uma escola como nenhuma outra. E, se você tem filhos pequenos, sabe que, no meio do caos das manhãs apressadas, das brincadeiras barulhentas e das perguntas infinitas, surgem momentos de aprendizado genuíno — e não, não estou falando de ensinamentos que você transmite para eles. Estou falando de lições que eles nos ensinam.

Aqui estão 5 coisas que meu filho de 6 anos me ensinou, e que nunca esperei aprender dessa forma.

1. Cada Dia é Uma Aventura em Potencial

Nós, adultos, somos mestres em transformar a vida numa rotina monótona: trabalho, casa, responsabilidades. Mas meu filho? Ele acorda todos os dias como se fosse um explorador, pronto para descobrir algo novo. A palavra “tédio” simplesmente não existe para ele. Um galho no jardim pode virar uma espada, o céu nublado é uma oportunidade para observar as formas das nuvens, e um simples passeio de carro se torna uma grande aventura.

A lição aqui? A vida tem tanta cor quanto decidimos enxergar. Meus olhos adultos se acostumaram a filtrar a alegria do cotidiano. Mas, com ele, estou reaprendendo que há beleza nas pequenas coisas, se eu estiver disposto a olhar com curiosidade.

2. A Honestidade Não Precisa Ser Dolorosa

Quando meu filho me diz algo do tipo, “Pai, essa camisa é estranha”, ele não está tentando me ofender. Ele está sendo brutalmente honesto, mas de uma forma tão desarmada que, em vez de me irritar, me faz rir.

Ele me ensinou que a verdade não precisa ser uma arma. Nós, adultos, muitas vezes seguramos nossa honestidade, ou usamos palavras como escudos ou espadas. Mas meu garoto de 6 anos me mostra que ser direto, quando feito com simplicidade e inocência, pode ser uma ponte, e não um muro.

3. Dizer “Desculpa” Não Diminui Ninguém

Se tem uma coisa que as crianças fazem com mais facilidade do que nós é pedir desculpas. Às vezes, depois de um mal-entendido ou de uma pequena frustração, meu filho se aproxima com um pedido de desculpas sincero, seguido de um abraço, como se o erro fosse apenas um detalhe que ele rapidamente deixa para trás.

Por que, então, nós, adultos, tornamos o pedido de desculpas tão difícil? Aprendi com ele que a humildade de reconhecer um erro não nos diminui; ao contrário, nos liberta. Talvez, se tivéssemos a leveza de uma criança, aprenderíamos que um pedido de desculpas não é o fim do mundo, mas o início de uma conexão renovada.

4. O Mundo é Mais Leve Quando Rimos de Nós Mesmos

Se tem algo que aprendi, é que meu filho não leva as coisas tão a sério quanto eu. Se ele tropeça no meio da corrida ou derruba um copo de suco, ele ri de si mesmo. Não há vergonha em ser imperfeito; para ele, é apenas parte da brincadeira da vida. É dançar quando a música toca!

Eu, por outro lado, muitas vezes me sinto esmagado pelos meus próprios erros. Ele me ensinou que é possível rir dos tropeços. Ao fazer isso, ele me mostrou que o erro não é algo que precisa ser carregado como um fardo, mas como um aprendizado leve.

5. Amar de Forma Incondicional É Mais Simples do Que Parece

Meu filho não guarda rancor. Um momento ele está chateado porque disse “não” para algo que ele queria, no minuto seguinte ele está me abraçando como se nada tivesse acontecido. Ele ama com uma pureza que não conhece barreiras ou condições.

Esse tipo de amor me lembra do amor de Deus por nós. Muitas vezes, nós complicamos as coisas, impomos condições ou nos fechamos para perdoar. Mas o amor incondicional é, na verdade, simples e direto. Ele não acumula mágoas, não carrega pesos. Ele se entrega, sempre. Ver isso em meu filho me ensina mais sobre o amor de Deus do que qualquer outro exemplo.

Os Pequenos Professores da Vida

Quem diria que um garoto de 6 anos poderia me ensinar tanto? Aprendi que a vida é uma aventura esperando para ser vivida, que a verdade pode ser leve, que pedir desculpas é um gesto de força, que o riso cura e que o amor incondicional é a forma mais pura de relacionamento.

Essas são lições que a vida adulta tende a nos fazer esquecer, mas que nossos filhos, com sua sabedoria simples e pura, nos ajudam a redescobrir. Talvez, no fim das contas, criar um filho seja menos sobre ensiná-los tudo e mais sobre aprender junto com eles.

Pr. Nícolas Bastos

Coordenador do Programa Batista Família

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