Embora possa parecer difícil para as mães dizerem “não” aos seus filhos, isso faz parte do processo de criação/educação e é fundamental para o desenvolvimento saudável deles. É uma tarefa importante que ensina limites e responsabilidades aos mais novos. Se fosse pela nossa vontade, tudo seria permitido; afinal, esse serzinho que saiu do nosso ventre é, como muitas mães dizem, nosso coração batendo fora do peito. Entender que dizer “não” também é uma forma sublime de amar não é fácil, mas é muito necessário.
Esse receio pode acontecer por vários motivos. Precisamos entender, primeiramente, o que nos impede de negar com autoridade, e não com autoritarismo, aquilo que achamos por bem negar. Pode ser por sentirmos culpa e medo de desapontar o filho, causando tristeza ou frustração, pois mães querem ver seus filhos felizes, e dizer “não” pode parecer contraproducente. Podemos ceder para evitar conflitos ou para manter a harmonia. A maternidade é desafiadora, e mães cansadas ou estressadas podem evitar dizer “não” para evitar confrontos. Algumas mães não estabelecem limites consistentes desde cedo, o que pode dificultar dizer “não” mais tarde, quando as crianças já estão acostumadas a obter o que querem. A crença de que o amor significa sempre dizer sim também nos assombra. Algumas mães acreditam erroneamente que dizer “não” é uma demonstração de falta de amor, mas impor limites é uma forma de cuidado e proteção. Muitas vezes, podemos querer suprir nossa falta ou algum outro fato com o constante “sim”.
No entanto, os “nãos” precisam ter intencionalidades bem definidas para que realmente colaborem para a educação dos filhos e sua felicidade na vida, que, afinal, é o nosso maior desejo. Dizer não para demonstrar superioridade não educa. Então, como podemos ser mães sábias e usar o “não” para educar de forma eficaz e com amor, para que nossos filhos possam crescer saudáveis física e emocionalmente? Não é fácil! Não há uma receita, mas podemos sim pensar antes de agir e tentar de forma consciente ensinar, orientar e amar, também na hora das negativas.
Primeiramente, manter o “não”, e os limites que o acompanham, é fundamental para a educação dos filhos. Se a mãe percebe que não conseguirá manter o que disse, é melhor permitir logo. Essa inconsistência prejudica nossos filhos muito mais do que um “sim”. Diga “não” e sustente sua decisão. O “não” também merece gentileza. Não é porque é uma negativa que precisa ser dita de forma grosseira e desrespeitosa. Seja firme, porém doce.
Lidar com situações em que é necessário dizer “não” pode ser desafiador, mas é fundamental para o desenvolvimento saudável do ser humano. Além disso, lembre-se de que o “não” não representa falta de amor ou afeto. Transmita sempre essa certeza ao seu filho, negue com amor quando precisar negar algo.
O próprio Deus que nos ama incondicionalmente não nos faz todas as vontades. A Bíblia relata muitos “nãos” de Deus por razões específicas, como proteção, direcionamento, disciplina ou cumprimento de seus planos maiores. Mesmo quando não entendemos, podemos confiar que seus caminhos são perfeitos e que seu amor por nós é inabalável. Não deixamos de amar nosso Deus por suas negativas, pois aprendemos que “…sua vontade é boa, perfeita e agradável” (Romanos 12:2).
Vejamos alguns desses “nãos” de Deus relatados na Bíblia Sagrada. Sim, ela aborda esse tema em várias passagens. Aqui estão alguns versículos relevantes:
– Em Mateus 26.39, quando Jesus Cristo estava prestes a enfrentar sua crucificação, Ele orou ao Pai, dizendo: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”. Sua vontade foi negada e foi cumprida a vontade de Deus e seu propósito para nosso bem.
– Em Gênesis 2.16-17, Deus ordenou ao homem no Jardim do Éden que ele poderia comer livremente de qualquer árvore, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus disse: “No dia em que dela comer, certamente você morrerá”. Deus disse o “não” e já declarou a consequência da desobediência. Quando a serpente tentou Eva, ela respondeu: “Podemos comer do fruto das árvores do jardim, mas Deus disse: ‘Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão’, está em Gênesis 3.2-3.
– O Espírito Santo impediu Paulo e seus companheiros de pregar em certas regiões em Atos dos Apóstolos 16.6-9 e ainda em 2 Coríntios 12.8-9 – Paulo relata que pediu ao Senhor três vezes para remover um sofrimento, mas Deus respondeu: “Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”, ou seja, “não”.
– Em Deuteronômio 34.4 – Deus permitiu que Moisés visse a Terra Prometida, mas não permitiu que ele a atravessasse e em Deuteronômio 3.25-26 – Moisés pediu para atravessar o Jordão e ver a boa terra, mas Deus disse: “Não me fale mais sobre isso”.
Para Davi Deus disse que ele não construiria um templo em honra ao Seu nome devido à quantidade de sangue que Davi havia derramado, em 1 Crônicas 22.8.
A mãe precisa ensinar limites desde cedo, pois é essencial para que a criança aprenda a lidar com as frustrações da vida. Estabeleça regras claras e seja consistente com as consequências quando essas regras forem infringidas. E lembre-se: o “não” também faz parte do amor e do cuidado que você tem pelo seu filho. Pode dizer sem medo de errar.
Mais um pouco dos “nãos” de Deus para seus amados filhos são os Dez Mandamentos, que são uma forma de Deus estabelecer limites e diretrizes para a humanidade. Os mandamentos são dez regras fundamentais que Deus deu ao seu povo para viverem corretamente, encontrados no livro do Êxodo, no Antigo Testamento da Bíblia. Jesus resumiu esses mandamentos em dois grandes princípios: amar a Deus acima de tudo e amar o próximo como a nós mesmos.
Para que as mães consigam dizer “não” aos filhos, devem compreender primeiramente a importância do limite. Os filhos que não conseguem suportar uma negação desenvolvem comportamentos prejudiciais para lidar com as emoções negativas e a frustração. Eles podem se tornar agressivos, guardar irritação dentro de si, tomar decisões precipitadas no momento da raiva, valorizar apenas quem diz o que eles querem ouvir, mesmo que sejam pessoas tóxicas, entre outros. Assim, eles se estressam facilmente e sofrem com os efeitos psicológicos e físicos do estresse ao longo da vida.
A importância do “não” na educação dos filhos significa também ensinar valores como paciência, resiliência, determinação, otimismo, planejamento, obediência, ética e serenidade. Sentindo-se protegidos e amados, as crianças sem limites podem enfrentar desafios significativos à medida que crescem e até sofrer.
Existem três formas de dizer “não” aos filhos:
1. O primeiro “NÃO” é aquele imediato: “Não pode! Não vai! Não faça! Venha aqui agora! Me escute! Olhe para mim! Não quero!” É um “NÃO” que não deixa brecha para argumentação ou justificativa, indicando que não quer ouvir nesse momento.
2. O segundo “NÃO” permite justificativa e até mesmo ouvir o argumento do filho. Continua sendo um “Não”, mas se o argumento for convincente, pode-se mudar de ideia com algumas ressalvas. Quer-se ouvir o filho nesse momento, mas continua sendo não, e a mãe explica o porquê.
3. O terceiro “NÃO” permite uma negociação. Esse não pode, mas esse outro sim. Três dias não pode, mas dois sim. Quatro horas não, mas se cumprir uma determinada tarefa, duas horas sim. É um “não”, mas com espaço para negociação.
Impor limites é crucial para o desenvolvimento saudável das crianças. Os limites ajudam a ensinar valores, responsabilidade e respeito por si mesmo e pelos outros. Uma educação equilibrada, com limites claros e amor, é essencial para preparar as crianças para a vida adulta. Autoridade não tem a ver com grosseria, autoritarismo ou simplesmente mostrar quem manda. Está preparada para dizer “não” com amor?


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