“O ensino do sábio é fonte de vida, para que se evitem os laços da morte”.  
Provérbios 13.14 

Quem convive com adolescentes pode observar que, em alguns momentos, eles exibem comportamentos maduros e admiráveis do ponto de vista adulto, enquanto em outros manifestam condutas bastante impulsivas, imaturas e até ilógicas.

De acordo com as neurociências, aproximadamente dos 12 aos 24 anos, o cérebro passa por uma reconfiguração neuronal, como se recebesse um “update”. Até o completo amadureci-mento cerebral, esses jovens tendem a ser críticos, questionadores, impulsivos em suas atitu-des e a não perceber os fatos por diferentes perspectivas. Frequentemente, são inundados por oscilações emocionais claramente ligadas a esse processo de maturação cerebral. Isso nos aju-da a compreender por que, tantas vezes, são teimosos e insistentes com seu ponto de vista, em relação a qualquer assunto. Nesta transição para a vida adulta, é importante que apren-dam na prática diária que as consequências de suas escolhas recaem sobre eles mesmos. Escolher bem e agir com bons princípios fará toda a diferença na vida que terão.

Nessa explosão de hormônios, novas experiências e novas conexões cerebrais, eles conquistam, por um lado, liberdade e autonomia em suas escolhas cotidianas; por outro, uma maior responsabilidade sobre as consequências de seus atos. Além dos valores e influências recebidas no meio familiar, agora tornam-se mais expostos e mais permeáveis às influências externas, vindas da escola, da internet e de todos os seus meios sociais.

Nós, pais, não temos o poder de filtrar e barrar aquilo que será enraizado na mente e no coração de nossos filhos, a partir do momento em que os lançamos no mundo. Também não temos o poder de responder ou alterar as consequências de suas escolhas. Isso não quer dizer que não devemos ensinar bons princípios e valores desde os primeiros anos de vida. Pelo contrário, é nosso papel como pais ter clareza, coerência e consistência com os princípios que nos norteiam e, a partir daí, ensiná-los aos filhos. Precisamos também fazer uma “curadoria” dos conteúdos acessados e consumidos por eles, principalmente enquanto são pequenos. À medida que as crianças crescem, vamos perdendo esse controle de filtrar esses conteúdos e valores.

Quando ouvimos um filho adolescente falar algo com o qual não concordamos ou que não condiz com nossos valores, nosso coração dói, e ficamos incomodados por eles não pensarem da forma que gostaríamos e tememos pelas consequências de suas escolhas. Nessa hora, somos tentados a criar um embate, impondo o que acreditamos ser correto, gerando ausência de escuta e pouco aprendizado. Como pais, precisamos de muita sabedoria e domínio próprio para não interromper a conversa, aprender a ouvir, criando um espaço de escuta, acolhimento e aconchego. Isso nos permite mapear o coração dos filhos, entender sua lógica, seu raciocínio para depois colocar nossas pontuações. Só assim podemos levá-los à reflexão sobre as consequências, embasados em bons princípios e valores, em atitudes de amor e respeito.

Diante de um fato consumado, uma escolha seguida de comportamento e consequência nega-tiva, uma atitude de acolhimento seria dizer: “Eu sinto muito, meu filho! É isso que acontece com a escolha que você fez. Logo você terá a oportunidade de fazer novas escolhas.” Essa atitude gera nos filhos um recurso interno de responsabilidade. Não devemos evitar que sofram as consequências de seus atos. Eles precisam experimentar e associar na prática que toda escolha tem uma consequência. Podemos ajudá-los a refletir, a se reerguer, sem julgar ou apontar o dedo para seus erros.

É essencial buscar uma atitude empática, regada a amor e compreensão, de que todos estamos num processo constante de amadurecimento e aprendizado. Em algum momento, todos cometemos erros, seja por falta de sabedoria, conhecimento ou impulsividade. Somos perdo-ados diariamente por Aquele que nos amou primeiro. Sigamos o exemplo do nosso Mestre.

Anísia Rosas
Psicóloga Clínica, cristã, casada, mãe e ex-aluna do Colégio Batista Mineiro.  Atuante há 21 anos na profissão, trabalha com Psicologia Comportamental e Análise do Comportamento com crianças, adolescentes e adultos. Escritora e palestrante em oficinas e eventos. Especialização em Psicologia da Educação com ênfase em Psicopedagogia preventiva.

Deixe um comentário