Passados os primeiros dias de aula, o estojo já não está mais o mesmo. Algumas coisas estão faltando… e elas parecem ter ido para a caixa oculta das coisas perdidas.

Talvez você também tenha uma simpatia pelas borrachas! Pode ser reflexo daquele tempo em que a gente ficava limpando a borracha na parede… enquanto a professora explicava a matéria. Essa era a única maneira de ficar um pouco em pé durante o tempo de aula!

Parece que as meninas têm mais apreço pelo estojo, mas ele acaba replicando a imensidão de acessórios que usam e, para ter um estojo – mais ou menos – pedem aos pais as tais canetas Stabilo, uma para cada adorno no caderno…

Só que aqui em casa, meu marido Sidney ainda tem a lapiseira do 7º ano (0,5 preta). E eu, Josmária, sempre achei um barato comprar acessórios, coisinhas coloridas e diferenciadas que não passam de R$ 10…

Acontece que, todas as vezes que a gente ia passear na papelaria, cada um saía com uma coisinha que estava faltando… e sempre tinha uma borracha! Passavam alguns dias, e alguém chegava da aula, dizendo que precisava de uma borracha. O Sidney sempre tinha a dele, guardada no mesmo lugar. Um alvo fácil para repor as urgências.

Chegou um dia em que o Sidney resolveu reunir as valiosas borrachas perdidas. Ele saiu recolhendo as borrachas usadas, recortadas, furadas com um lápis e sujas. Algumas borrachas tinham até nome… Deu uma porção! Encheu uma caixinha.

Parar e dedicar-se a esta ação é um grande desafio para a rotina do dia a dia! O que seria uma dracma para fazer você varrer a casa e achar aquilo que sumiu? (Lucas 15.8-10). A vida com crianças é cheia de coisas pequenas, repartidas e que ficam bem espalhadas.

Nada de gerar traumas emocionais com gritos e atitudes descabidas pela fúria de uma borracha que não irá conseguir apagar as marcas da mesquinhez. Mas criar marcos sistêmicos para o cuidado com as pequenas coisas gera em nós a capacidade de demonstrar cuidado, dar atenção ao dia a dia de cada um, e entender que podemos desenvolver a boa mordomia com o incentivo coletivo.

Ter respeito pelo contexto do outro, permitir tentar outra vez e construir a atenção aos pertences… é algo importante para o ambiente familiar, garantindo sustentabilidade social, ambiental e financeira.

A liberalidade com o detergente, o xampu, a torneira aberta… deve estar conectada com a proposta de aprendizado! E ele será mais completo se, ao invés do custo com o material, dedicarmos os minutos valiosos à atenção, para pensar em como ser mais econômico com esses recursos, estabelecendo controles procedimentais.

Agora, toda vez que pego uma borracha na papelaria, lembro que a gente já tem uma caixinha em casa. Meus próprios filhos me lembram que o papai já mostrou que a gente não precisa!

E este objeto, a tão querida borracha, se tornou um ícone de lembrança para não perder o lápis, a tesoura, a garrafinha… e ter cuidado com os pertences para priorizar o investimento em outros recursos.

Pensar em finanças passa por reconhecer emoções, sentidos, memórias, intenções, sonhos e a proposta missional da vida familiar. A capacidade da família desenvolver saúde financeira está associada à intencionalidade de criar um ambiente potencializador para o aprendizado de maneira colaborativa, amparada por uma boa curadoria de conteúdos e técnicas que favoreçam a construção de hábitos disciplinares comunais.

Sidney e Josmária
Casados há 20 anos e são pais de 3 filhos: Beatriz (15), Gabriela (12) e Daniel (10). Professores universitários com formação em administração, ciências contábeis e pedagogia, eles atuam na PUC Minas em cursos das áreas gerenciais e de engenharia de produção. Em Belo Horizonte, eles servem na Igreja Batista do Barro Preto com a família. Sidney é presidente de Os Gideões Internacionais no Brasil, seguindo o legado do seu pai Orlando Lino e o apoio de sua mãe Iracema. Josmária é secretária da Diretoria da Convenção Batista Mineira, mantenedora da Rede Batista de Educação, seguindo a visão de cooperação, transmitida por seu pai Pr. José Ribeiro e por sua mãe Carminha.

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