No mundo corrido em que vivemos, os pais enfrentam um desafio constante: conhecer verdadeiramente seus filhos. Não apenas saber quais são suas comidas favoritas ou seus hobbies, mas entender o que carregam na mochila da vida, o que ocupam suas mentes e o que preenche seus corações. A metáfora da mochila não se refere apenas aos livros e cadernos que eles levam para a escola, mas ao peso invisível das experiências, expectativas e emoções que carregam todos os dias.
O que está na mochila?
Imagine a mochila de seu filho como um recipiente de tudo o que ele recolhe em suas interações diárias. Dentro, pode haver pedras de momentos difíceis na escola, como bullying ou pressão dos colegas, que pesam sobre seus ombros. Talvez haja tesouros escondidos de pequenas vitórias e alegrias que ele reluta em compartilhar, temendo que não sejam valorizados. Essa mochila pode conter segredos e medos, esperanças e sonhos que eles guardam apenas para si, por medo de julgamento ou incompreensão. Como pais, é essencial abrir essa mochila com cuidado e atenção, mostrando que estamos prontos para compartilhar tanto os pesos quanto as alegrias.
O que ocupa a mente?
A mente de um jovem ou uma criança é um universo em expansão, sempre absorvendo novas informações, ideias e crenças. O que eles leem, assistem e pesquisam na internet contribui para a formação de sua visão de mundo. Estão aprendendo sobre amizade, ética, ciência, e tantos outros assuntos que orientam quem se tornarão no futuro. No entanto, sem orientação, podem se deparar com desinformação ou conteúdo prejudicial. É crucial que os pais se envolvam, não para vigiar, mas para orientar e expandir essa jornada de aprendizado, transformando curiosidade em conhecimento valioso.
E o coração?
O coração é um campo fértil onde o amor, a paixão e os sonhos crescem. É onde residem seus amores mais profundos – seja por pessoas, hobbies ou aspirações. No entanto, o coração também pode abrigar desilusões, tristezas e mágoas que eles podem não saber como expressar. Conhecer o coração de seu filho significa ouvir suas histórias com empatia, sem julgamentos ou críticas, e apoiar seus sonhos, por mais grandiosos ou modestos que sejam. Significa ensinar sobre amor, respeito e compaixão, não apenas com palavras, mas com ações diárias.
Muitos pais, embora bem-intencionados, podem se encontrar distantes dos mundos internos de seus filhos. Ocupados com as demandas da vida cotidiana, podem não perceber que a ponte entre eles e seus filhos precisa ser fortalecida. Reverter esse quadro não exige gestos grandiosos, mas momentos de presença genuína: conversas sem pressa, interesses compartilhados e explorados juntos, em um ambiente familiar onde se possa falar sobre tudo – desde o trivial até o profundo.
Considere as inspiradoras palavras encontradas em Oseias 6.3 – “Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor”. Assim como somos chamados a buscar um relacionamento mais profundo e contínuo com Deus, essa busca pelo conhecimento não deve se limitar à nossa espiritualidade. Ela se estende à maneira como nos relacionamos com nossos filhos. Conhecê-los verdadeiramente – seus pensamentos, sentimentos, esperanças e medos – é fundamental para guiá-los através da vida com a mesma sabedoria, coragem e amor que buscamos ao seguir os caminhos do Senhor.
Conhecer o que seus filhos carregam na mochila, o que preenche suas mentes e corações, é o primeiro passo para construir uma relação de confiança e apoio mútuo, onde cada membro da família se sente visto, ouvido e valorizado.
Pr. Nícolas Bastos
Coordenador do Programa Batista Família


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