“Fala com sabedoria e ensina com amor”. Provérbios 31.26
Eis a lição que o Mestre nos ensina, sejamos sábios ao falar e ensinemos com amor. Ressalto as palavras Sabedoria e Amor, ingredientes essenciais ao ensino, conduzido por falas abençoadoras, propulsoras de desenvolvimento, palavras que indicam possibilidades, confiança e credibilidade. Eis um princípio primoroso da educação, seja junto aos filhos, aos estudantes, aos nossos pares, fortalecido pelas ações de cooperação e entregas pessoais ao processo de aprendizagens, escolares ou não.
Os filhos crescem e, cada vez mais, vão adquirindo conhecimentos, habilidades e atitudes que os conecta com as demandas da contemporaneidade, que são muitas. No entanto, há processos atemporais que mesmo tendo o seu início não conseguimos precisar o seu fim, considerando sua continuidade, abrangência e aplicabilidade. Falemos, assim, da ALFABETIZAÇÃO que, por vezes, erroneamente, é atribuída exclusivamente ao aprendizado da leitura e da escrita, acontecido na escola, na perspectiva da decodificação de símbolos. Conceitualmente, essa percepção pode gerar um entendimento equivocado sobre a alfabetização por considerar, os interlocutores, as experiências vivenciadas e não refletidas no seu devido tempo, como aprendizes da língua. No entanto, os
estudos contemporâneos ampliam sobremaneira esse conceito e podemos compreendê-lo também nessa nova perspectiva.
estudos contemporâneos ampliam sobremaneira esse conceito e podemos compreendê-lo também nessa nova perspectiva.
Trago para esse momento singular de reflexão o tempo escolar da aquisição e da compreensão do sistema alfabético, como código de comunicação e sua empregabilidade na vida e seus impactos no percurso de cada estudante. Vejo a alfabetização como um divisor de águas no processo de aprendizagem contínuo dos estudantes. Provoco, vocês, pais, alfabetizados, com a indagação sobre quais são as expectativas dessa apropriação de conhecimentos, de habilidades e de atitudes dos seus filhos e seus possíveis desdobramentos para a vida deles? Já fizeram algum exercício reflexivo conectando a alfabetização que vivenciaram, como estudantes, à vida de vocês hoje e como seus impactos nutrem o percurso de desenvolvimento pessoal, social, cultural e até mesmo profissional? Vale pensar sobre esse cenário que sustenta a aprendizagem escolar e a aprendizagem para a vida, ressignificando a complexidade desse tempo de alfabetização, agora vivenciado no percurso de desenvolvimento dos filhos.
Muitas e muitas dicas e orientações são divulgadas no sentido de estimular, desde a tenra infância o acesso das crianças ao universo letrado, ressaltando o essencial papel dos pais, como exemplos de comportamentos e atitudes favoráveis à alfabetização. Tais orientações são válidas e, as reforço, como também, a atenção a todo o percurso de desenvolvimento dos filhos que compreendeu a faixa etária dos 0 aos 3 anos e meio em diante, do balbucio do bebê, ao domínio das estruturas sintáticas e morfológicas da língua, fase importante para o melhor entendimento sobre as demandas de acompanhamento na aquisição da leitura, da escrita, da interpretação.
Escolhi por um trajeto diferente para a temática desse artigo que chama a nossa atenção para, “COMO OS PAIS PODEM AJUDAR OS FILHOS NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO”. Penso que a parceria com os filhos passa pela parceria correlata a da escola que escolheram para ensiná-los nesse fundamental processo, propiciando-lhes o universo à leitura e à escrita e suas inúmeras conexões e possibilidades, especialmente, o desenvolvimento do gosto pelo aprendizado. Os filhos ao aprenderem a ler e a escrever, vivenciam experiências desafiadoras e complexas, erram, experimentam, acertam, pensam, se emocionam e desenvolvem mais que a leitura e a escrita, passam a conectar-se com as suas possibilidades de aprender, suas emoções e sentimentos, acessando o mundo sociocultural, ampliado pela linguagem e pelos contextos, dela advindos.
O desenvolvimento da linguagem é aquele que oferece as condições favoráveis aos indivíduos de pertencimento sociocultural ao mundo e, expressões utilizadas muitas vezes pelos familiares e escola como, “Ele, o_________________ já está lendo”, dita um lugar de conquista daquela criança, que se inaugura como ser letrado, capaz de dialogar, gradativamente, em suas várias formas de expressão e compreensão, com as demandas do mundo e suas significações, encontrando o seu lugar de protagonismo estudantil, sempre
com inúmeras possibilidades de crescimento, considerando um movimento de espiral crescente, cada vez mais largo, ascendente, demonstrando a profundidade, a complexidade e a beleza dessa aquisição.
com inúmeras possibilidades de crescimento, considerando um movimento de espiral crescente, cada vez mais largo, ascendente, demonstrando a profundidade, a complexidade e a beleza dessa aquisição.
Entendamos, a alfabetização sob o ponto de vista do desenvolvimento da linguagem, “conjunto de elementos mentais e como processo do pensamento manifestado por gestos, sinais, sons, símbolos ou palavras, que são usados para representar conceitos de comunicação, ideias, significados…”. Ler e escrever é ampliação genuína para as competências comunicativas interacionais, para a compreensão e a interpretação do mundo que nos cerca e para a produção do conhecimento, esse, no contexto escolar/acadêmico, que otimiza toda uma trajetória de aprendizagens futuras, dentro e fora da escola.
Nesse sentido não podemos entender a alfabetização apenas como decodificar letras, palavras, há todo um processo de desenvolvimento integral em curso, envolvendo e integrando diversas áreas como pessoal, educacional, afetiva, emocional, cognitivo, social, desafiadas e vivenciadas nesse novo contexto de construções diárias, corroborando para conexões mentais com potencial de ampliação do pensamento e de uma nova atitude frente ao mundo letrado. Aprender a ler e a escrever coloca o alfabetizado com abertura para entender diversos contextos tanto sociais e culturais como linguísticos, ou seja, marcadores importantíssimos para o seu desenvolvimento como estudante/pessoa.
Frente a essas questões, coloco alguns pontos importantes para vocês, pais e mães, estarem atentos:
1. Sejam, parceiros de percurso dos filhos na escola, valorizando o aprender, o estudo, o esforço e as aprendizagens construídas, cognitivas e socioemocionais.
2. Sejam parceiros da escola que, por meio dos seus especialistas, estará atenta às demandas de aprendizagem, colocando-se aberta ao diálogo com vocês, orientando sobre as melhores práticas de acompanhamento familiar e desenvolvimento do estudante.
3. O processo de aprendizagem é único, cada criança tem a sua singularidade, não devendo ser comparada com ninguém, devendo ser respeitada no seu direito de aprender.
4. Entendam os marcos do desenvolvimento infantil quando, porventura, se depararem com as possíveis dificuldades do(a) filho(a) na escola. Sempre haverá uma orientação especializada segura para a condução compartilhada do processo.
5. Valorizem as conquistas dos filhos, sem supervalorizá-las e muito menos desqualificá-las.
DESTAQUE: Lembrem-se sobre o valor do desenvolvimento da linguagem, da alfabetização e da aprendizagem na vida de uma pessoa, tais habilidades, abrem, de fato, as portas para o mundo e suas inesperadas oportunidades. Recomendo que todas as condições favoráveis sejam acionadas, com Sabedoria e Amor, especialmente o acompanhamento insubstituível de vocês, Famílias, ao processo de alfabetização que se inicia em cada turno escolar, em cada prática social vivenciada e se estende para a vida toda.
“A leitura é um exercício de mente que amplia o campo do pensamento e produz nobreza no caráter.” Jonatas Moura
Junia Batista Tavares Marcossi
Esposa do Martinho, mãe do Diego e da Lívia; avó do Samuel. Ex-estudante do Colégio Batista Mineiro, onde atuei na Equipe Técnico-Pedagógica por vários anos, na Unidade Floresta-BH. Sou Professora, graduada em Psicologia, com especialização em Orientação Profissional e de Carreira, Psicopedagogia, Psicologia Escolar e Educacional pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia) e em Neuroeducação. Graduada do Curso tecnólogo em Ciência da Felicidade. Gosto de gente e de gerar oportunidades para o desenvolvimento humano e acredito no relacionamento, Famílias e Escola, gerando conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, por meio de experiências educativas de orientação e aprendizagens contínuas.


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