As birras são completamente esperadas até os 4 anos, pois a habilidade de tomar decisões equilibradas e o controle emocional dependem de uma parte do cérebro que ainda está em formação. No entanto, após os 5 anos, momentos de explosão emocional como resposta à frustração devem se tornar cada vez mais raros.
A postura ponderada dos adultos diante das birras das crianças desempenha um papel crucial no fortalecimento do controle emocional delas, especialmente diante de uma realidade que, muitas vezes, é marcada por mais desafios do que conquistas. O desafio é manter a calma e evitar reações impulsivas. Respirar profundamente antes de responder é uma estratégia eficaz. Vale a pena seguir o sábio conselho: “A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.” (Provérbios 15.1).
Com tranquilidade, o próximo passo é ouvir! Frequentemente, as birras desencadeiam uma resposta imediata na tentativa de solucionar o problema. No entanto, é aconselhável ouvir atentamente a queixa da criança e empregar comunicação não verbal, como expressões faciais empáticas, a fim de ajudar a acalmar os ânimos. Conforme a Bíblia nos ensina: “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se.” (Tiago 1.19).
A escuta acolhedora é fundamental para estabelecer uma base sólida que permita compreender a situação com maior clareza. Após identificar a origem da frustração ou birra, é importante tentar decodificar os sentimentos da criança. Para os pequenos, pode ser útil criar uma descrição que explique o que está incomodando. Compartilhar brevemente experiências da própria infância também ajuda a criar conexões e a desenvolver novas estratégias para lidar com as frustrações.
À medida que as crianças crescem, é importante orientá-las sobre como expressar suas frustrações de maneira mais apropriada, promovendo a comunicação e a resolução de conflitos. Como bem nos lembra o apóstolo Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12.21).
Uma estratégia eficaz é o jogo de faz-de-conta. Você pode simular situações típicas da infância, apresentando a atitude adequada como referência:
- Exemplo 1: Uma criança pega o brinquedo de outra: em vez de reagir jogando o brinquedo no chão e gritando, diga: “Não gostei quando você pegou meu brinquedo sem pedir. Isso me deixou chateado.”
- Exemplo 2: Uma criança diz algo que a outra não gosta: em vez de reagir com agressão física ou uso de palavras ofensivas, diga: “Me senti magoado quando você me chamou assim. Por favor, pare de fazer isso.”
Por último, é importante destacar que as crianças necessitam de limites e previsibilidade para cultivar um senso de segurança. Portanto, estabeleça regras claras e coerentes em casa, de modo que a criança tenha uma compreensão clara das expectativas. A constância e a consistência devem ser mantidas, garantindo que a abordagem em relação às birras seja uniforme em toda a família. Afinal, quando você diz “sim”, deve significar “sim”, e quando diz “não”, deve significar “não”.
Enfrentar birras requer paciência, empatia e consistência. À medida que as crianças aprendem a gerenciar suas emoções, nós, como cuidadores, também estamos aprendendo a educar de maneira empática e equilibrada, orientados pela inspiração da Palavra de Deus.
Fonte consultada:
SIEGEL, Daniel J. O Cérebro da Criança: 12 estratégias revolucionárias para nutrir a mente em desenvolvimento do seu filho e ajudar sua família a prosperar. São Paulo: Editora Versus, 2015.
Aline Mara Sato Dermer de Oliveira
Discípula de Jesus. Esposa do Douglas e mãe do Benjamim e Caetano, de 7 anos. Pedagoga e Psicopedagoga clínica. Atuou como Professora da Educação Infantil e Fundamental I da Unidade do Colégio Batista Mineiro em Poços de Caldas e como Coordenadora da Educação Infantil e Fundamental I do Colégio Batista em Sete Lagoas.


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