Criação de filhos nunca foi uma tarefa fácil. A cada etapa do desenvolvimento das crianças somos surpreendidos com um novo desafio. Se para uma família onde a mãe e o pai partici-pam da vida dos filhos ativamente e compartilham das decisões familiares em conjunto é complexo, imagine para uma mãe ou pai solo?

A família monoparental é caracterizada quando um dos pais assume a tarefa de educar e car-rega sozinho a responsabilidade de concentrar todas as referências de formação e estrutura da personalidade das crianças nas vivências e experiências ao longo da vida. 

Mas será possível oferecer um ambiente favorável ao desenvolvimento emocional saudável tendo o núcleo familiar monoparental?

Compartilho aqui algumas estratégias de como lidar com a ausência de um dos cônjuges na criação dos filhos e como protegê-los de possíveis desajustes emocionais.

1. Primeiramente, é importante ressaltar um princípio valioso que pode nortear o sentimento de pertencimento de todos os membros dessa família: uma família monoparental é uma FAMÍLIA e não apenas uma casa ou um lar: Embora tenham passado por reajuste, é impres-cindível ressaltar que uma família jamais será desfeita, mas ela pode ser reorganizada, não tradicional, mas composta por pessoas imperfeitas que se amam incondicionalmente e mes-mo que em alguns momentos possam se perceber em pedaços, ainda assim, fortalecer os laços de família.

2. Organize a casa. Mantenha a vida e a casa em ordem. Uma casa desorganizada traz a sen-sação de falta de comando e liderança e as crianças precisam perceber que não estão em um lugar desgovernado. Todos precisam contribuir para o bom funcionamento do novo lar, e desempenhar tarefas cotidianas que faz com que esse funcionamento aconteça de forma organizada. Dessa forma, todos os membros se tornam corresponsáveis pelo cuidado e ma-nutenção não apenas do que é material, mas do que precisa ser cultivado emocionalmente. Portanto, encarregue as crianças e/ou adolescentes de tarefas diárias que compõem a orga-nização do lar. Tarefas bem distribuídas auxiliam e não sobrecarregam. Se as crianças forem muito pequenas, estabeleça tarefas simples, mas não as deixem fora disso.

3. Não permita que as conexões se percam. Muitos pais, ao se separarem, passam por mo-mentos extremamente difíceis e às vezes não conseguem demonstrar amor aos filhos. Nessa fase é muito importante que os pais vejam as crianças como quem, também, está enfren-tando momentos difíceis na vida e que sentir que são amados e protegidos fazem com que o sentimento de perda seja amenizado. Não economize afeto. Abrace, beije, diga que ama e afirme com segurança que seu amor por cada um de seus filhos é incondicional. Use palavras de amor, expresse em palavras e ações sentimentos que fortaleçam os vínculos. 

Estabeleça momentos em que todos possa fazer alguma atividade de lazer juntos. Nesse momento, priorize a presença exclusiva e mantenha os olhos e ouvidos sempre atentos para que as conexões sejam firmadas. Imprescindível que os aparelhos eletrônicos, principalmen-te o celular, não participe.

4. Cultive o respeito e a bondade entre os pais e filhos. A separação do casal sempre é um evento desastroso. É desconstruir um sonho e viver uma realidade jamais desejada. Os filhos também vivenciam esse pesadelo e falar mal do ex-cônjuge ou denegrir sua imagem faz com que o desastre na vida dos filhos seja ainda maior. Portanto, nunca reclame do ex-cônjuge para os filhos ou fale mal do pai ou da mãe das crianças para eles. Por mais que o caráter e comportamento seja complicado e você tenha vários motivos para descrevê-lo de forma destrutiva, preserve seus filhos das informações que você tem. Evite também o estresse e o desgaste caso ainda existam pendências ou necessidade de ajustes. Programem os momen-tos de acertos para longe das crianças. Preserve seus filhos de participarem de situações das quais eles não podem contribuir, tão pouco decidir por vocês. Poupe-os do estresse tóxico. Lembre-se: eles sempre serão filhos dessa pessoa que hoje não é mais seu cônjuge. 

Além disso, cultivar o diálogo e acolher os sentimentos dos seus filhos: um lar em fase de reconfiguração é normalmente percebido com as relações estremecidas e a comunicação encontra dificuldade de se reestabelecer. É importante entender que não foram os filhos que se separam, mas os pais. Os sentimentos dos pais são diferentes dos filhos. Os pais não se relacionam mais, porém os filhos jamais deixarão de ser filhos. Portanto, ouvir o que os filhos têm a dizer sobre o que pensam a respeito da separação e acolher amorosamente seus sentimentos, será imprescindível para que os vínculos de confiança sejam reafirmados.

5. Replique Jesus. Tudo o que você precisa saber sobre como criar seus filhos em um lar mo-noparental, está na Palavra de Deus. Jesus enquanto liderava seus discípulos ensinou o que as pessoas deveriam fazer: amar o Senhor seu Deus sobre todas as coisas. Ensinou que eles deveriam perdoar. Jesus também perdoou. Quando Jesus foi pendurado na cruz após ter sido espancado, cuspido e julgado, sem ter cometido nenhum crime, e vivido uma vida sem pecado algum, Ele pediu ao Pai Celeste que perdoasse seus acusadores. “Jesus disse: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem que fazem’” (Lucas 23:34). Portanto, inculcar os ensinamen-tos de Jesus na sua casa pode instalar a cultura de paz dentro da sua casa. 

6. Por fim, seja gentil com você. Sabemos que família, mesmo com as dificuldades e ajustes que ao longo do tempo são necessários enfrentar, sempre será nossa prioridade. Bem sei que a criação dos filhos em um lar monoparental, é um grande desafio e que os pais solos, muitas vezes não se permitem errar e são duros consigo mesmos. Se comparar com outros pais e se julgar por fazer ou deixar de fazer algo é se tratar com muita severidade. Ser gentil com você mesmo lhe dará suporte a sua saúde mental e seu bem-estar. A gentileza com vo-cê mesmo lhe fará sentir menos estresse e ansiedade, para poder também oferecer aos seus filhos o que eles precisam para crescer e se desenvolverem emocionalmente saudáveis. 

Exerça a autocompaixão. Comece com a percepção de suas emoções e seus sentimentos. Será que você tem sido muito rígido(a) consigo mesmo? Quando você está muito focado(a) em cuidar dos filhos, pode se esquecer ou ficar sem tempo para cuidar de si. Tanto da forma físi-ca, mental e emocionalmente, será bom não apenas para você, mas também para seus fi-lhos. Criar os filhos é uma tarefa muito difícil e não há problema sentir-se despreparado(a) ou perdido(a). Um ato de autocuidado pode começar por reconhecer que você, além de não estar sozinho, tem se empenhado em fazer tudo que pode, com os recursos que tem, e é o melhor que você pode fazer.  Se a carga estiver pesada demais e perceber que tem sido difícil exercer essa generosidade consigo mesmo(a), busque ajuda especializada. Encontrar um psicólogo e iniciar um processo terapêutico irá ajudar muito.

“Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compre-ensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera.” Tiago 3.17

Erica Cristina Delamarque Alves 
Pedagoga, Psicopedagoga, Educadora e Coach Parental, Psicóloga em formação  (10º perío-do), Teóloga e Coordenadora da 2ª e 3ª séries do Ensino Médio do Colégio Batista Mineiro. 

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