O mundo ao nosso redor está cheio de previsibilidades e ordem: fases da lua, dia e noite, períodos de colheita, estações do ano, entre outros. Cada uma dessas situações nos ajuda a entender que é necessária uma ordem lógica e uma cadência de eventos. No nosso dia a dia, não seria diferente; somos seres que precisam de um direcionamento dinâmico, ou seja, precisamos de rotina. E isso é ainda mais crucial para os nossos pequenos, que estão sendo introduzidos às vivências humanas.

Estamos vivendo dias cada vez mais sobrecarregados, cheios de compromissos e novas informações que nos estimulam a iniciar uma nova atividade. Mas será que as crianças de 0 a 3 anos precisam de um dia repleto de atividades, compromissos sociais, aulas especializadas e estimulação constante? Certamente não! Afinal, nesses primeiros anos, é importante focar, principalmente, nas suas demandas fisiológicas e afetivas.

Gostaria de destacar alguns aspectos que não podem faltar na rotina dos nossos filhos e que muitas vezes negligenciamos em prol da nossa agenda.

Primeiro: As crianças precisam de uma rotina de sono adequada e alimentação saudável. Crianças famintas e cansadas demandam muito mais atenção e têm uma saúde mais fragilizada.

Segundo: Na rotina das nossas crianças, precisamos incluir momentos ao ar livre e contato com a natureza. Atualmente, existem estudos que afirmam que o contato diário com a natureza pode diminuir significativamente o uso de medicamentos como a Ritalina, por exemplo.

Terceiro: Nossos filhos precisam de nutrição emocional. Sim! Precisamos reservar intencionalmente um tempo de qualidade para nossos filhos em nossas agendas. É necessário proporcionar momentos significativos com eles, gerando memórias afetivas.

Uma rotina saudável nesses primeiros anos inclui: tempo adequado de sono, alimentação saudável com horários previsíveis, momentos de lazer ao ar livre e tempo de qualidade afetiva.

Neste momento, priorize o básico e o simples para estruturar a base da sua criança. Com essas demandas supridas, fica mais fácil administrar as poucas aulas especializadas quando necessárias, o gasto com a saúde e medicamentos provavelmente será reduzido, e o círculo de amizade relevante terá oportunidade de ser fortalecido. Crianças cujas demandas são atendidas de maneira previsível são mais seguras.

Débora Souza
Psicóloga clínica infantil, graduada pela PUC Minas, com foco na abordagem cognitivo-comportamental e aplicações da psicomotricidade no acompanhamento infantil, com avaliação psicomotora e aplicações em ABA para TEA.

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