A automutilação está intimamente ligada à saúde mental. Ter saúde mental não significa ser feliz o tempo todo, mas sim ser capaz de lidar de maneira saudável com situações que nos trazem desconforto.

Os comportamentos autolesivos podem ser definidos como aqueles praticados de forma intencional, ou seja, não ocorrem por acidente ou de maneira inconsciente, mas com a intenção de causar algum dano físico ou psicológico. Tratar desse tema na adolescência é um desafio sério, real e sensível, que requer atenção cuidadosa.

Alguns adolescentes procuram disfarçar seus sentimentos e emoções quando estão passando por alguma situação difícil e estressante. Em alguns casos, eles não querem causar mais problemas aos seus familiares ou amigos e preferem lidar com a situação sozinhos. Em outros, sentem vergonha de expor sua intimidade e acabam se isolando.

Diante disso, a identificação precoce de fatores de risco e comportamentos que indicam autolesão é uma importante estratégia de prevenção e acolhimento. Entre os fatores de risco e comportamentos que indicam essa ação, estão:

  • Ansiedade e/ou tristeza intensas;
  • Indiferença em relação às pessoas;
  • Isolamento social;
  • Dificuldades nas relações interpessoais;
  • Mudanças no comportamento;
  • Perdas recentes de pessoas queridas ou oportunidades;
  • Perda de interesse por atividades que antes praticava e das quais gostava;
  • Uso de roupas de frio em períodos de calor;
  • Irritação e agressividade sem motivos aparentes;
  • Tédio frequente;
  • Sentir-se um problema para todos ao redor;
  • Cicatrizes, cortes, arranhões e hematomas;
  • Achar que, se morrer, ninguém vai sentir sua falta ou notar alguma diferença.

Além desses fatores, frases como as seguintes merecem atenção:

  • “Preferia estar morto”;
  • “Não aguento mais”;
  • “Sou um peso na vida dos outros”;
  • “Os outros serão mais felizes sem mim”;
  • “A minha vida não tem mais sentido”;
  • “Só sinto um grande vazio”;
  • “Eu queria dormir para sempre”.

A melhor forma de abordar esse tema é conversando diretamente com o adolescente, no momento certo e da maneira mais cautelosa e acolhedora possível, para não agravar seu estado emocional já fragilizado. Perguntas como: “Você está triste?”, “Há algo que está lhe preocupando?”, “Você se sente sozinho?”, “Você acha que alguém se preocupa com você?” podem iniciar o diálogo, permitindo que o assunto seja abordado gradualmente. Depois que o adolescente já estiver mais à vontade, seja objetivo e faça perguntas como: “Há algo incomodando ou tirando seu sono?”, “Você já se agrediu intencionalmente?”, “Você já pensou ou pensa em morrer?”, “Você planejou uma data para isso?”. Durante a conversa, esteja atento e demonstre interesse e preocupação com o problema ou a situação que o está incomodando.

Procure também entender as razões por trás da automutilação, sem culpar, criticar ou julgar o adolescente, permitindo que ele se expresse da forma que achar melhor. Mantenha uma escuta ativa e compreensiva, promova a autoestima e o autocuidado, e crie um ambiente seguro, removendo objetos afiados ou perigosos do alcance do adolescente. Esteja atento aos sinais de alerta e responda imediatamente quando houver riscos; esses sinais incluem isolamento extremo e expressões de desesperança.

Lidar com a automutilação na adolescência é desafiador, e pode ser necessário tempo para ver melhorias significativas. O apoio contínuo, a compreensão e o amor são fundamentais para ajudar o adolescente a superar essa fase difícil e buscar um ideal de vida mais saudável e positivo. Em Mateus 11.28, Jesus disse: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei”. Seja encorajado pelo Senhor e busque Sua direção nesse processo. Nunca desista do adolescente e, juntos, busquem ajuda profissional.

Kelly Veiga da Silva Oliveira

Bacharel em Teologia e graduanda do Curso de Psicologia.

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