A palavra maternidade tem origem na língua latina. Ela é derivada de “maternitas”, que é formada a partir de “mater”, que significa mãe, e “itas”, sufixo que indica qualidade, estado ou condição. Ao longo do tempo, essa palavra evoluiu para “maternidade” nas línguas modernas, como o português, para descrever o estado de ser mãe e todas as responsabilidades e experiências associadas a ele.
Seja mãe biológica ou do coração, ela se envolve com dedicação e esmero nas experiências e nos deveres ligados à criação, educação e cuidados com seus filhos. É um aspecto fundamental da reprodução, conduta e continuação da espécie humana, envolvendo muitas responsabilidades.
Além da gravidez, no caso das mães biológicas, que passam por uma série de mudanças físicas e emocionais, vivendo uma experiência desafiadora e intensa, há as mães que sonham com seus filhos fora do ventre e escolhem buscá-los. Carinhosamente, falamos que são filhos gerados no coração e que mexem, também, com o físico e o emocional dessas mulheres.
O sentimento de maternidade pode acontecer, inclusive, por alguém próximo que decidiu se doar e amar. Ser “mãe” vai além da ligação parental; é ajudar no desenvolvimento emocional, físico, cultural, psíquico e social das crianças, fornecendo amor, apoio emocional, equilíbrio e orientação, para o resto de suas vidas, em uma família acolhedora e feliz.
A maternidade pode ser uma experiência doce, cheia de momentos memoráveis e felizes, mas também desafiadora. As experiências de mães podem variar amplamente. O cuidado físico com a criança desde bebê é constante, até que ela consiga ter autonomia para fazer sozinha o que antes precisava de ajuda. A mãe passa a dormir menos, e quando dorme parece estar sempre em estado de alerta. Os sentimentos que envolvem a maternidade podem ser contraditórios, variando desde um amor inexplicável e intenso até estresse, cansaço e um sentimento de impotência jamais sentidos. Muitas vezes, a mãe deixa seu autocuidado de lado para se dedicar a outra vida.
É importante reconhecermos que a maternidade é uma experiência ímpar e multifacetada, com grandes desafios e momentos doces e gratificantes. São esses momentos que tornam a jornada tão especial e significativa para as mulheres, dando-lhes força e sabedoria. A jornada, repleta de emoções, é muitas vezes permeada por uma mistura de alegrias e, indubitavelmente, incertezas. Mães de todos os cantos se veem imersas em um mar de preocupações, onde o medo de “fazer errado” e, consequentemente, impactar o futuro de seus filhos, torna-se uma constante onda de ansiedade.
Esse medo, embora profundamente enraizado, pode ser suavizado e transformado em uma experiência de aprendizado e crescimento quando abraçamos uma visão de maternidade que é autêntica, amorosa e, acima de tudo, centrada na graça e sabedoria de Deus.
A história bíblica de Davi e Golias, além de ser um relato de fé e coragem, nos oferece uma metáfora valiosa sobre a importância de reconhecer e honrar nossa autenticidade e a de nossos filhos na jornada da criação. Ao explorarmos esse antigo relato, somos convidados a refletir sobre como podemos, enquanto mães, permitir que nossos filhos vistam suas próprias armaduras, enfrentando os gigantes da vida com a força e a coragem que emanam de sua verdadeira essência.
A história de Davi e Golias não é apenas uma narrativa sobre a vitória do subestimado, mas também sobre a coragem de ser autêntico e verdadeiro consigo mesmo. Davi, um jovem pastor, recusa a armadura do rei Saul, optando, em vez disso, por enfrentar o gigante Golias com sua funda e pedras – ferramentas com as quais ele estava familiarizado e confortável. Esta escolha de Davi de permanecer fiel a si mesmo e utilizar suas próprias habilidades e conhecimentos é um poderoso lembrete da importância de honrar e respeitar a individualidade e a singularidade em nossas próprias jornadas e, crucialmente, na jornada da maternidade.
Assim como Davi escolheu usar as ferramentas e habilidades que eram autênticas para ele, as mães são encorajadas a abraçar suas próprias habilidades, conhecimentos e instintos na jornada da maternidade. Cada mãe, com sua unicidade, traz algo especial e valioso para a experiência de criar seus filhos. Honrar essa autenticidade e permitir que ela guie suas ações e decisões é fundamental para navegar pelos desafios e alegrias da maternidade.
Da mesma forma, é vital reconhecer e respeitar a individualidade de cada filho. Cada criança, com suas próprias paixões, interesses e desafios, é uma individualidade única e deve ser celebrada e apoiada em sua própria jornada. Ao fazer isso, as mães não apenas honram a criação de Deus, mas também cultivam um ambiente onde a criança se sente vista, ouvida e valorizada.
A fé de Davi em Deus e em suas próprias habilidades foi crucial para sua vitória sobre Golias. Da mesma forma, as mães são chamadas a confiar em Deus e em suas próprias habilidades enquanto navegam pelos desafios da maternidade. Essa confiança não apenas fortalece a mãe, mas também serve como um poderoso exemplo para seus filhos.
Ao honrar a individualidade da mãe e do filho, cria-se um espaço onde ambos podem crescer e se descobrir. Este é um espaço onde os erros são vistos como oportunidades de aprendizado, onde as diferenças são celebradas e onde cada membro da família é encorajado a explorar e desenvolver suas próprias paixões e interesses.
A maternidade, quando vista através da lente da autenticidade e respeito pela individualidade, torna-se uma bela jornada de descoberta mútua. Mãe e filho embarcam juntos em uma viagem de crescimento, aprendizado e exploração, fortalecidos pela fé e pela confiança de que, com Deus ao seu lado, eles podem enfrentar e superar os gigantes que encontram pelo caminho.
A história de Davi, que com sua funda e pedras, e mais crucialmente, com sua fé e autenticidade, triunfou sobre Golias, serve como um lembrete eloquente da força inerente à verdadeira autenticidade e confiança divina. Ao permitir que nossos filhos vistam suas próprias armaduras, moldadas por suas individualidades, paixões e habilidades, e ao escolhermos vestir as nossas, honrando nossos próprios instintos e sabedoria interior, navegamos pela maternidade com uma graça que é intrinsecamente guiada pelo Criador.
Portanto, torna-se uma dança sagrada de almas, onde mãe e filho, cada um com sua própria melodia e ritmo, criam uma sinfonia de amor, respeito e crescimento mútuo. É um espaço onde a graça permeia os erros, onde o amor incondicional se torna o alicerce, e onde a fé tece um manto de esperança e resiliência. Ao honrarmos a individualidade, abraçarmos a autenticidade e depositarmos nossa confiança no Divino, não apenas enfrentamos os gigantes em nosso caminho, mas também capacitamos nossos filhos a enfrentar os seus, armados com a força de sua própria autenticidade e o poder da fé.
Que cada mãe encontre paz na certeza de que sua jornada é única e divinamente orquestrada, e que cada criança, sob sua amorosa orientação, cresça para se tornar o indivíduo único e maravilhoso que foi criado para ser. E assim, através das gerações, a dança continua, bela em sua diversidade, rica em suas diferenças, e sagrada em sua essência.
Daniella Zanini
Neuropsicopedagoga. Consultora Pedagógica. Há 32 anos trabalha na Rede Batista de Educação (RBE), onde atuou como Diretora, Coordenadora Pedagógica, Professora e Monitora. Especialista em Neurociências, Gestão Escolar Integradora, Alfabetização e Multiletramentos, Psicomotricidade e Educação Inclusiva. Experiência como avaliadora em bancas, formadora e revisora de material pedagógico, elaboração de currículo escolar e escritora infanto-juvenil, com co-participação em material de programa socioemocional. Responsável por elaborar e ministrar treinamentos para diversos públicos. Atuação em desenvolvimento de educadores pedagogos.


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