FAMÍLIA, BASE PARA
A VIDA: SENDO UMA MULHER QUE RECONHECE SEUS LIMITES E BUSCA AJUDA NA FAMÍLIA.
São 4h da manhã,
desperto e agradeço a Deus pela noite de descanso. Confesso que acordei algumas
vezes durante a madrugada para me virar na cama e, como toda boa mãe, faço um Checklist
mental do que ainda precisa ser feito logo ao levantar. Será que ainda tem o
pão integral para o lanche do Rubens? Será que tem a barra de cereais que o
Miguel gosta? Será que a quantidade de comida que coloquei na marmita do meu
marido é o suficiente? Acho que aumentarei a quantidade de arroz. Será que as
meias pretas de Miguel secaram, pois ele gosta de usá-las? O uniforme da escola
estendi ontem à noite no varal logo que me levantar o pegarei e colocarei na
porta do quarto do Miguel para facilitar. Não sei se coloquei ração para
cachorrinha, Liz, ou se a água está limpa, mas logo que acordar eu olho. Fechei
os olhos e tentei descansar mais um pouco. Lembrei-me do abraço do Miguel e do
beijo do Rubens e do quanto temos orgulho dos homens que se tornaram. Agradeço
a Deus pelos meus presentes.
A vida de uma mãe é
assim – não é como um fardo, como muitos dizem, mas é um prazer inexplicável. O
cansaço vem, o medo vem, temos o receio de falhar como mãe, como esposa e
criamos a ideia de que temos que dar conta de tudo. Ficamos arrasadas quando um
filho fala “Mãe, não tenho roupa para ir para a escola!” ou “Acabou o pão que
eu gosto?” … manter tudo em dia nos traz tranquilidade e então percebemos que
tudo vai dando certo, dia após dia, e eles estão crescendo fortes e felizes. Ainda assim, continuamos nos cobrando: podia
ter feito assim, podia ter feito assado. Não foi do jeito que eu queria, podia
ter sido melhor. Mães seguras percebem o seu valor e que a suas famílias
precisam delas. Uma mulher sábia e
virtuosa trabalha bastante, mas sabe o seu papel nessa peça incrível que é a
vida em família.
Ah, pensamos: “Eles
têm o amor do pai, mas precisam do meu abraço, do meu afago, do meu carinho, da
minha disciplina” – e começa tudo novamente: “Olha a meia no chão! Apaga a luz!
Põe a roupa na máquina! Ajuda a mamãe! Não deixe cair! Estude! Faça a atividade
de casa! Leve a blusa de frio! Feche a janela! Fique atento às amizades! Olha a
bagunça! Lixo é na lixeira! Filho, não fala assim com seu irmão!” E assim
vai… a mãe segue, hora feliz, sem ter motivo ou explicação, hora tão triste, mas
que também não consegue explicar o motivo, mas segue.
“Pera aí”! Volta! Volta! … será que temos
que dar conta de tudo?
Não, não temos que
dar conta de tudo! Precisamos pedir ajuda. Precisamos do apoio da família. A
exaustão física, uma noite de sono resolve e acaba com ela e amanhã é outro
dia, acordamos renovadas. A pior exaustão é a autocobrança, de uma casa que
podia ser mais limpa, de uma roupa que podia ser mais bem passada, de um
alimento que podia ser mais saboroso, ou de um esquecimento qualquer. Somos
capazes de trabalhar fora de casa o dia todo e continuar nos cobrando do que
não conseguimos deixar pronto dentro de casa.
Quando percebermos que,
apesar de sermos “maravilhosas” não somos a “Mulher Maravilha” e que haverá
dias de tristeza, dias de alegria, dias que conseguiremos cumprir com as
tarefas de casa e dias que não conseguiremos e entenderemos que está tudo bem! “Não,
filho, não comprei o pão, coma outro”. “Não secaram as meias preferidas, pegue
outras”. “Não fiz o almoço, podemos comer no restaurante”. “Hoje não! Hoje não deu tempo de limpar a
casa, vamos passear e quando voltarmos, arrumaremos juntos”. Isso é ser mãe!
A alegria da mãe é
ver a família unida e feliz, e é preciso entender que ela não é uma “super-heroína”
que tem que dar conta de tudo. Haverá horas em que será necessário pedir
socorro. Não se cobre todos os dias e nem tente ser perfeita, porque não
seremos, jamais! Precisamos fazer aquilo que está ao nosso alcance, com amor,
com zelo e dedicação. Se o abacaxi apodreceu na fruteira, não temos que
carregar essa culpa. É tempo das mulheres refletirem e dizerem: “Olha, pessoal, somos uma família, estamos
juntos nesse lar, precisamos ajudar uns aos outros, portanto, de hoje em
diante, todos aqui nessa casa vão descascar o abacaxi junto comigo!”. Todos
eles precisam compreender nossas fragilidades e habilidades e respeitar nosso
ritmo e nosso tempo de pausa, também!
A mãe é a mulher
que sustenta a casa em oração, em força, em fé, em amor… o homem, segundo a Palavra
de Deus, é o provedor, o protetor, o referencial de fé. A mulher virtuosa que a
Bíblia cita em Provérbios 31 não é uma mulher em sua exaustão física e psicológica,
pelo contrário, é equilibrada e autônoma. Ela sabe o que está fazendo! Não é
uma super-heroína, mas é uma mulher real, que se levanta cedo, faz o que está
ao seu alcance com amor e dá ordem às suas empregadas – sim, ela pede ajuda! Nós, mães, precisamos aprender a pedir ajuda,
a dizer “não consigo, não fiz, não pude” e a reconhecer que não somos perfeitas.
Precisamos, principalmente, educar nossos filhos ao serviço do lar, juntamente
com nossos esposos, unindo todos pela mesma causa, pelo mesmo conforto, para
que valorizem também suas esposas, quando crescerem. Esse é o melhor ensino, o
EXEMPLO!
Portanto, fica aqui
um alerta, não espere a exaustão e a tristeza tomarem conta de você, mamãe.
Divida as tarefas e peça ajuda. A família é responsável pelo bom funcionamento
de um lar e você é uma das peças mais importantes desta linda engrenagem!
Daniella Zanini
Neuropsicopedagoga. Consultora Pedagógica.
Há 32 anos trabalha na Rede Batista de Educação (RBE), onde atuou como
Diretora, Coordenadora Pedagógica, Professora e Monitora. Especialista em
Neurociências, Gestão Escolar Integradora, Alfabetização e Multiletramentos,
Psicomotricidade e Educação Inclusiva. Experiência como avaliadora em bancas,
formadora e revisora de material pedagógico, elaboração de currículo escolar e
escritora infanto-juvenil co-participação em material de programa
socioemocional. Responsável por elaborar e ministrar treinamentos para diversos
públicos. Atuação em desenvolvimento de educadores pedagogos.

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