FAMÍLIA, BASE PARA
A VIDA: NAVEGANDO PELAS EXPECTATIVAS DO CASAMENTO.
Sempre que sou
convidado a celebrar um casamento, ofereço ao casal um curso de noivos. Nesses
preciosos encontros, abordo temas fundamentais para a vida a dois, como
relacionamentos e expectativas conjugais. Não é raro encontrar alguns noivos
que demonstrem expectativas além da realidade em relação ao outro.
O casamento se
constitui um processo contínuo de construção, que nos leva gradativamente ao
amadurecimento. É preciso compreender que para se construir um relacionamento
saudável, será preciso entender que ninguém chega a essa relação já pronto, em
condições ideais e perfeitas. Por isso, muitas vezes, a frustração ganha lugar,
pois o outro não estava ainda pronto para satisfazer totalmente seu cônjuge em
suas expectativas e reivindicações – pelo contrário, haverá conflitos e será
necessária muita reflexão, para que o processo de convivência chegue a um
equilíbrio emocional satisfatório. Como a convivência é um processo
continuamente dinâmico, agora não há lugar somente para o “EU”, mas o casal
deve agir e pensar, a partir dessa união, em “NÓS”.
Ocasionalmente,
ouvimos alguém dizer que para toda pessoa há uma “cara metade”, escondida em
algum lugar. Isso pode levar-nos a entender que encontraremos, como num passe
de mágica, uma pessoa totalmente ajustada às nossas necessidades. Essa é uma
ideia altamente falsa e perigosa, pois nos faz criar altas expectativas em
relação ao outro, tornando-nos metades e não pessoas inteiras, íntegras.
Encontramos na
Bíblia um princípio que pode nos ajudar a compreender essa caminhada. No livro
do profeta Amós, capítulo 3, verso 3, há uma pergunta reflexiva: “Duas
pessoas poderão andar juntas se não estiverem de acordo?”. A compreensão, a
cumplicidade e o acordo são elementos imprescindíveis para o fortalecimento
desse vínculo. É preciso perceber as forças e fraquezas um do outro e lidar com
elas, em um treinamento constante de boa convivência. Temos problemas, defeitos
e chatices e não podemos nos envergonhar disso. Contudo, como um relacionamento
saudável é feito avaliações e reformulações constantes, é preciso avançar na relação,
reconhecendo as próprias fraquezas e fazendo o possível para que o outro se
sinta confortável e feliz ao nosso lado.
É importante
lembrar que não podemos esperar do nosso cônjuge aquilo que ele não pode nos oferecer,
reconhecendo os seus limites e habilidades. É preciso, portanto, vivenciar
expectativas reais e experimentar renúncias necessárias, para que o casamento
se fortaleça e experimente alegria e
propósito plenos.
Estas são algumas sugestões para um
relacionamento conjugal saudável:
– Se possível,
procurem orar juntos. Separem um tempo para colocarem diante de Deus a vida um
do outro. A oração feita com intencionalidade, nutre e fortalece a relação.
– Faça da sua
relação uma oportunidade para servir a pessoa amada. Você não se casou para ser
feliz, mas para fazer o outro feliz e trazer bem-estar ao convívio.
– Aprenda a escutar
o seu cônjuge. Comunicação é uma via de mão dupla. Comunicar não é só falar,
mas ouvir e estabelecer metas, acordos e mudanças necessárias.
– Procurem fazer
coisas juntos, sempre que possível. Façam passeios ao cinema, teatro, academia,
ou mesmo apreciem um bom filme em casa. A cumplicidade e a ternura fortalecem
os vínculos.
– Cuide do seu
cônjuge como estivesse cuidando de você. Ele é, agora, sua prioridade!
“Portanto,
tudo que vocês querem que os outros vos façam, fazei vós a eles primeiro; pois
esta é a lei e os profetas.” Mateus
7.12
Aldair Botelho
Quintanilha
Teólogo, Advogado, Bacharelando em
Psicologia
Pastor da Igreja Batista Memorial do Bairro
Veneza, em Ipatinga-MG.

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