FAMÍLIA, BASE PARA A VIDA: COMO LIDAR COM O AFASTAMENTO DOS FILHOS NO PERÍODO DA ADOLESCÊNCIA.

 “Como o ferro afia
o ferro, assim um amigo afia o outro”
Provérbios 27.17

 

O relacionamento
com os filhos, independentemente da idade em que se encontram, é um convite a
um olhar atento para nós mesmos. Um choque de duas pessoas, cada uma com seu
temperamento, visão de mundo e expectativas. Nossas falhas, limitações e
incoerências ficam desnudas, frente à experiência da maternidade e paternidade.

 

Em cada fase do
desenvolvimento, da infância até a fase adulta, ocorrem o surgimento de novas
questões e desafios neste relacionamento. Vivemos, desde a primeira infância
até à velhice, um movimento natural de sairmos de uma condição de total
dependência dos cuidados de um outro ser humano para então, à uma fase de
sobrevivência, agora com maior autonomia, reafirmando nossa identidade. Neste
processo, adquirimos e defendemos nossas crenças e lutamos para que respeitem
quem somos. Uma condição humana em busca de autonomia e identidade, que nos
acompanhará por toda a vida e não somente na adolescência, como muitos
imaginam.

 

Tratando-se da fase
da adolescência, período que se estende aproximadamente dos 12 aos 25 anos, a
Neurociência afirma que o cérebro passa por grandes mudanças, com maior
ativação nos centros emocionais (Sistema límbico) e desenvolvimento mais lento
do córtex pré-frontal, que nos permite pensar no futuro, entender consequências
e tomar decisões.

 

A área ligada à impulsividade
está mais ativada e a região ligada à cautela tenta acompanhar esse ritmo. Por
volta dos 25 anos, o cérebro atinge uma maturação estrutural que nos
possibilita comportamentos mais cuidadosos. Podemos entender, então, as
manifestações de emoções profundas, complexas, às vezes descontroladas, com
julgamento comprometido por um cérebro imaturo. O centro de processamento de
recompensa está superativado nessa fase da adolescência, por isso, tendem a se
entregar ao prazer momentâneo, sem pensar nas consequências. Mudanças nos
níveis de dopamina e serotonina explicam irritabilidade, mudanças de humor e,
em alguns casos, comportamentos de risco. Alterações hormonais, questões
histórico-culturais e muitas outras informações poderiam ser listadas para
explicar comportamentos específicos da adolescência.

 

Essas informações
nos ajudam a perceber que, nem sempre, os comportamentos indesejados de nossos
filhos são intencionais e não são desculpa para nos afastarmos deles, como se
nada pudéssemos fazer. Pelo contrário, aqui está uma incrível oportunidade de
revermos nossas expectativas em relação ao comportamento dos nossos jovens, nos
colocando no lugar de quem também falha, erra e lida com as consequências.

 

Como seres humanos,
estamos em constante aprendizado, que ocorre a partir das crises e do
desconforto de novos desafios das novas fases da vida. Esse olhar sincero e
corajoso para nós mesmos muda nosso olhar para o outro. A emoção de raiva que
você enfrenta diante das grandes e pequenas frustrações diárias, a dificuldade
de dizer não a prazeres imediatos, é semelhante à experiência de seu filho, independentemente
da idade. O que muda é nossa capacidade de controlar nossa resposta frente a
esses estímulos.

 

De qual pai/mãe
você se aproximaria?

 

1º. tipo: Alguém
autoritário, que grita, dá longos sermões como o dono da razão absoluta,
ameaça, olha com desprezo, humilha, aumenta a dose do castigo anterior,
critica, isola, ignora, pune com silêncio e tenta de todas as formas garantir
que o filho não fracasse no desempenho, conforme suas próprias expectativas.

 

2º. tipo: Alguém
que sabe escutar, que assume papel de autoridade falando com firmeza, de forma
respeitosa;  que admite errar, sentir
medo, não ter todas as respostas e sabe pedir perdão; que se interessa em saber
seus gostos e assuntos; que respeita suas escolhas, que ajuda a pensar nas
consequências, olha compassivamente os erros, chora junto, encoraja a seguir em
frente; celebra pequenos avanços e amadurecimentos durante a caminhada; está
atento às necessidades do jovem e não estabelece o amor pelo desempenho, mas
pelo indivíduo.

 

Fica aqui um
convite à reflexão. Seremos sempre imperfeitos, mas não se justifique por isso.
Busque aperfeiçoar-se a cada dia como pessoa e como pai. Se necessário, busque
ajuda naquilo que precisa mudar! A aproximação de seu filho será uma
consequência de um coração que deseja entender e acolher os processos da
existência.

 

Anísia Rosas

Psicóloga Clínica,
cristã, casada, mãe e ex-aluna do Colégio Batista Mineiro.

Atuante há 21 anos
na profissão, trabalha com Psicologia Comportamental e Análise do Comportamento
com crianças, adolescentes e adultos. Escritora e palestrante em oficinas e
eventos. Especialização em Psicologia da Educação com ênfase em Psicopedagogia
preventiva.

 

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