FAMÍLIA, BASE PARA
A VIDA. 
AUXILIANDO OS
FILHOS QUANDO A CRISE SOBRE A ESCOLHA DA CARREIRA CHEGAR!

“Sê
forte e corajoso não temas, nem te espantes;

por
que o Senhor teu Deus é contigo, por onde andares”
Josué 1.9

 

Quando o Senhor
proferiu essas palavras de incentivo a Josué, ele enfrentava desafios
expressivos para a condução dos filhos de Israel à terra prometida. Podemos
imaginar como esses desafios constituíam-se em um grande peso para Josué, uma
vez que não tinha todas as respostas para as inúmeras situações desafiadoras
diante dele.          

 

Essa é a orientação
do Senhor para todas essas situações desafiadoras que enfrentamos. Tomemos dessa
fonte verdadeira de força, que é a confiança no Senhor, para balizar essa
reflexão e orientações que trarei, ao tratar da escolha da carreira, sob a
ótica da crise.

                   

Ao associarmos a
palavra “crise” ao momento da escolha profissional, já a validamos, de certo
modo, pelas condições em que acontece, e afirmamos que ela impacta, de maneira
diferenciada, a vida dos estudantes, especialmente os da última série dos Anos
Finais e de todo o Ensino Médio.

 

Essa “crise” poderá
sim, chegar, em maior ou menor grau, na sua família, se ainda não chegou! Como
então, interpretar esse momento crucial na vida dos filhos para ajudá-los a
superar os impactos deste momento de escolha?

 

A presença
acolhedora e colaborativa da família é ancoragem para os filhos adolescentes e
minimizam os impactos emocionais, o sentimento de medo e ansiedade, vivenciados
para uma decisão tão complexa. Os pais, a partir das próprias experiências
profissionais e o conhecimento que construíram sobre a realidade atual do mundo
do trabalho, ajudam na compreensão deste momento na vida dos filhos.

 

Os novos modelos e
demandas das profissões que estão se atualizando continuamente e já impactam as
carreiras pelas novas tecnologias e reforçam a necessidade de adaptabilidade. Desta
forma, os pais ativos garantem a compreensão desse tempo com afetividade, apoiam
nos desafios e na superação pessoal no processo de escolha da profissão.

 

Essa escolha traz
as mais diversas implicações na vida presente dos jovens, como também de toda a
família, auxiliando-os a se conectarem com os conhecimentos sobre a formação
profissional projetada para o futuro. É um processo, por vezes conflituoso, na
medida que requer dos estudantes reflexão e decisão pessoal, mediante o
conhecimento de si mesmos, para olhar para os seus gostos, interesses,
habilidades, aptidões, sonhos e expectativas e conectá-los a uma carreira
profissional, uma profissão. É o autoconhecimento em ação.     

                                                    

Essa escolha é mais
que encontrar uma profissão e uma carreira. É um percurso que os permite
acessar o desenvolvimento para a vida adulta, ainda que para alguns seja
desconfortável e distante, até mesmo pela dificuldade em abandonar a
adolescência e prosseguir para o próximo ciclo de vida. Muitos se sentem ainda
despreparados para escolher e decidir sobre o seu lugar de pertencimento e
contribuição na sociedade e precisam ainda perceber o que o trabalho em uma
determinada área profissional, lhes oportunizará.               

         

Percebendo que o
tempo da escolha final se aproxima, com a chegada da inscrição para o ENEM e
demais processos seletivos, os adolescentes percebem-se saindo da condição
anterior de treineiros e isso pode assustá-los. 
Será que darei conta?”, podem
se perguntar, causando apreensão sobre o escolher e o decidir, como também o
não escolher e o não decidir.

 

É fato que este
momento pode trazer marcas de incerteza, insegurança e sentimentos
contraditórios nos filhos e mexer com as emoções, entre o pensar e o agir,
podendo alterar significativamente as relações sociais que o jovem estabelece
com o mundo e, especialmente, com as figuras de referência, como os pais, que
são aqueles com os quais sentem-se, por vezes nesse período de decisões,
cobrados para dar respostas a “esta questão”.

 

Não ter, ainda, uma
solução ou uma decisão, pode ser desesperador para o adolescente, por
reconhecer que não está dando conta de decidir, temendo não conseguir realizar
as expectativas dos seus pares na escola, as dos pais, dos familiares e do
grupo de amigos. Assim, vivencia um certo sofrimento que não deve ser
banalizado, pois há uma dor real acontecendo, um questionamento interior sofrido
sobre as próprias certezas, chegando a refugiar-se no isolamento e desejando,
por vezes, como fuga, recolher-se à “companhia” dos seus recursos tecnológicos
em seu próprio mundo.

 

Sabemos que este
momento só terá fim quando os filhos se resolverem em sua escolha e
viabilizarem, com tranquilidade, a sua tomada de decisão, mesmo que possam
revisá-la posteriormente e, até mesmo alterá-la. Para que esse papo tenha
continuidade e abertura, vai depender da disponibilidade dos pais para
provocá-los, no melhor sentido da palavra. 

                                                                                                                                            

Pais e mães, a
escolha da profissão, pela sua natureza e complexidade e, sendo a primeira grande
escolha da vida dos filhos na transição para a vida adulta, requer atenção,
disposição, acompanhamento criterioso e parceria. É essencial que as alterações
comportamentais sejam notadas e identificadas. É possível que a aproximação dos
pais para entender o que está acontecendo e ajudar sejam percebidas pelos
filhos, como cobrança, certa pressão e, até mesmo, invasão de território, com
recusas ao diálogo. Os sinais de fragilidade emocional podem ser indicadores de
dificuldades no processo, abrangendo as diversas áreas da vida como
relacionamento com os pais e irmãos, com os amigos e com os colegas.            

                                                                                         

O momento de crise
revela uma necessidade importante dos jovens e adolescentes, que é a acolhida
afetiva dos seus pais e de outras pessoas de referência para eles. No entanto,
nem sempre eles têm consciência dessa necessidade. Mas, como pais, é necessária
a consciência de que estar por perto é a melhor decisão, mesmo quando o
relacionamento familiar vivencia essa desorganização temporária natural do
processo de amadurecimento e gerada pela dificuldade de assumir um rumo e as
consequências dessa escolha.        

 

Pais e mães são e
sempre serão pontos de apoio, referência fundamental para os filhos e, nesse
sentido, geram uma rede de suporte que faz uma grande diferença, promovendo as
condições construtivas para a superação dos desafios desse momento singular da
escolha da profissão, primeira entre muitas outras escolhas de uma carreira
profissional.

 

A presença
acolhedora garante a aproximação, que conecta necessidades, que escuta sem
julgar, que cuida com amor, que incentiva o crescimento e valida as
iniciativas, que fortalece e encoraja os movimentos, mesmo que, ainda,
incipientes, que sustenta sem amarras, que orienta, acompanha, ensina, aprende
e auxilia para que o lugar do bem-estar e da felicidade na vida sejam
construções conjuntas e contínuas. É essa presença que permite aos filhos serem
protagonistas das suas vidas, alçando os seus voos com autonomia e segurança,
na certeza que, os desafios e superação, serão oportunidades de crescimento e
que vocês, pais, estarão incondicionalmente com eles, abençoando-os.                          

                                 

Finalmente,
atente-se que o tamanho da crise e a sua complexidade é pertinente à
subjetividade de cada pessoa, que tem o seu processo único e particular de
experiências e, com essa ponderação, convido-os a dizer não às comparações, que
podem ser extremamente destrutivas para quem ainda não está pronto e precisa de
mediação. Escolher e tomar decisão são competências complexas, mas um grande
privilégio para todos nós! 

 

#FICAADICA

                                                       

#1 Escolher uma profissão/carreira é mobilizar-se por inteiro, acionando
a interconexão das áreas: pessoal,
relacional, socioemocional, acadêmica, espiritual
, apoiados por uma
eficiente rede de apoio que pode trazer, ao processo de escolha, leveza e
segurança no exercício crescente do protagonismo com autorresponsabilidade.

 

#2Os encaminhamentos da escola para profissionais especializados em
Orientação Profissional e de Carreira, quando o processo de escolha necessitar
de maior personalização, não se constitui, necessariamente, em “problema” e
revela atenção a uma necessidade subjetiva do estudante para intervenções mais
particularizadas. O processo de escolha acontece no tempo do estudante e a
ansiedade, ou outro fator de vulnerabilidade, pode dificultá-la.

 

#3 Incentivem os filhos a participarem da construção de narrativas da
vida dos familiares e suas profissões, a conhecerem sobre a genealogia
profissional da família. A admiração e o respeito lançam novas possibilidades
de diálogo e facilitam as escolhas!

 

#4 Conheçam e partilhem com os filhos sobre “As habilidades e
competências para o profissional do século XXI”. Vocês poderão utilizar a
descrição para conectarem os jovens estudantes às expectativas e possibilidades
de um futuro, que é próximo e já está sendo construído no presente.

 

Junia Batista
Tavares Marcossi

Esposa do Martinho, mãe do Diego e da Lívia;
avó do Samuel. Ex-estudante do Colégio Batista Mineiro, onde atuei na Equipe Técnico-Pedagógica
por vários anos, na Unidade Floresta-BH. Sou Professora, graduada em
Psicologia, com especialização em Orientação Profissional e de Carreira,
Psicopedagogia, Psicologia Escolar e Educacional pelo CFP (Conselho Federal de
Psicologia) e em Neuroeducação. Graduada do Curso tecnólogo em Ciência da
Felicidade. Gosto de gente e de gerar oportunidades para o desenvolvimento
humano e acredito no relacionamento, Famílias e Escola, gerando conhecimentos,
habilidades, atitudes e valores, por meio de experiências educativas de
orientação e aprendizagens contínuas.

 

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