FAMÍLIA, BASE PARA A VIDA: A IMPORTÂNCIA DA ESPIRITUALIDADE NA FAMÍLIA
Em tempos de tantas mudanças e
transformações, a família, tal como a entendíamos anteriormente – conhecida
como família nuclear – tem sofrido uma série de ataques e críticas por parte da
sociedade atual. De igual modo, a religião cristã vem sofrendo, também, claras
investidas e votos de descrédito nesta geração.
Diante de tais fatos, trago-lhes um
convite a pensarmos no valor destas duas instâncias da vida humana – a família
e a espiritualidade – como elementos imprescindíveis à sustentação da
existência humana. Neste contexto de relativização e desprezo aos valores
antigos, a vida humana perdeu o status de bem supremo, tornando-se descartada e
abortada, perdendo seu valor e significado. Isso se deve a uma nova visão de
mundo, onde impera o egoísmo, o antropocentrismo (o homem como centro do
Universo) e o Hedonismo (busca desenfreada pelo prazer, sem assumir as
consequências de seus atos e escolhas.) A liberdade sem responsabilidade gera
arbitrariedade, com consequências desastrosas para o indivíduo e para a
sociedade.
Sabe-se que uma sociedade é construída sobre
quatro grandes pilares: a Família, a Escola, o Estado e a Igreja. Destas
quatro, a família é a mais importante, pois dela originam-se todas as outras.
Percebe-se, entretanto, neste tempo, uma ação sistemática para mudar a
configuração da sociedade e, por isso, investem em um ataque cruel e desigual às
suas bases mais sólidas – à família e à igreja.
Na tradição cristã, a família foi
criada por Deus, ao perceber que a solidão não era boa para o ser humano
(Gn2.18). Desta forma, o Criador constituiu o primeiro casal, criando-os com o
propósito de felicidade, companheirismo e igualdade e dando-lhes a
responsabilidade de povoar a Terra. (Gn 1.26-28).
O termo espiritualidade tem sua origem etimológica no latim
“spiritus”, que significa “sopro”, entendido como aquele sopro divinal
recebido na criação, quando o homem foi feito alma vivente (Gn2.7). Desta forma,
constituído à imagem e semelhança do seu Criador, tem em seu íntimo o desejo de
relacionar-se com Ele, uma vez que o elo “criatura-Criador” estabelece a
essência do ser humano, sempre em busca por algo maior do que ele mesmo.
Assim, a espiritualidade é basicamente
um vínculo entre o ser humano e Deus, como uma espécie de sentido último de sua
existência, que se manifesta na busca de algo que possa dar propósito a ela.
Esta visão cristã da espiritualidade, invoca-nos à ideia de Religião, na
tentativa de “religar-se” ao Eterno, numa ação transcendente.
Desta forma, o desenvolvimento da
espiritualidade, depende grandemente da família, onde se estabelecem os
princípios e valores da criança, em um ambiente de respeito, amor e
solidariedade.
No seio familiar, aprende-se sobre o
cuidado, desfrutam-se dos afetos, aprende-se sobre as diferenças de maneira
tolerante e fraterna e percebe-se que o ser humano não se basta em si mesmo –
por isso, somos impelidos a buscar a transcendência – com o outro, também ser
humano, e com o Criador – Deus Eterno.
Que nossas famílias sejam o berço
destes princípios, que a afetividade seja plena, o respeito seja o lema e a
Sabedoria nos conduza ao reconhecimento de que há um Criador, que sustenta
todas as coisas e que, Nele, a vida é plena de sentido e significados.
Wagno Alves Bragança
Casado com Senhorinha Gervásio
Lourenço Bragança, pai de Bruno, Breno e Wagno Junior. Pastor e psicólogo
clínico, com mestrado em Educação Cultura e Organizações Sociais.
Atuou como professor, administrador
escolar e capelão no Colégio Batista Mineiro/BH.
Atuou como coordenador do Instituto
Hexis – Responsável pelo Programa BENE:) Formação Ética e Socioemocional,
escritor de material didático. Palestrante em congressos e capacitações, com
publicação em livros e periódicos.

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